Agilidade na Lava Jato e abandono na Operação Pixote

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Deflagrada em agosto de 2012, a Operação Pixote, que revelou um esquema de corrupção nos contratos entre o Iases e a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis), completa três anos sem resultados concretos.

Os mais de R$ 50 milhões que teriam sido desviados da Autarquia parecem terem ficado esquecidos no tempo. Na ocasião da deflagração, 13 pessoas chegaram a ficar presas, entre elas a então diretora-presidente do Iases, Silvana Gallina, além de diretores do Iases e da Acadis. Entretanto, passado o momento de alarde, o processo corre como outro qualquer. E a Justiça sequer conseguiu citar todos os evolvidos ainda.

A Acadis era a responsável pela gestão do Centro Socioeducativo (CSE) de Cariacica e das unidades de internação provisória de Linhares, no norte do Estado. Segundo a Operação, para administrar as duas unidades, a ONG mantinha contratos superfaturados, pagos com verbas repassadas pelo governo do Estado.

Enquanto isso, observa-se os trabalhos da operação Lava Jato. A operação, que começou investigando uma rede de doleiros que atuavam em vários Estados e terminou por descobrir a existência de um gigantesco esquema de corrupção na Petrobras, é destaque diariamente na mídia nacional.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instaurada na Câmara Federal, apura a corrupção na estatal no período entre 2005 e 2015. Para além dos interesses políticos que inevitavelmente rondam esse tipo de investigação, o fato é que a operação, que envolve políticos de vários partidos e as maiores empreiteiras do país, traz a tona, a cada dia, provas concretas, nomes e valores desviados. E já executa ações civis para devolução de recursos desviados.

No Espírito Santo, o que falta é vontade política e eficiência do poder judiciário de ir a fundo no esquema de corrupção estadual. Enquanto isso, o Iases amarga uma gestão autoritária e ineficiente. Com unidades sucateadas, o Estado está entre os primeiros no ranking de superlotação das unidades de socioeducação, elaborado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), já tendo sido criticado ainda por desrespeito aos direitos humanos.

O Sindipúblicos lamenta o descaso das autoridades capixabas quanto aos atos de corrupção já deflagrados no Iases e a atual situação da Autarquia. O Sindicato repudia ainda as péssimas condições de trabalho a que são submetidos os agentes socioeducativos, que além de sofrerem com a falta de segurança, convivendo com fugas e ameaças de socioeducandos, atuam sob pressão e intimidações da diretoria do Iases.