Agentes de Transporte da Ceturb rejeitam aumento da carga horária na adequação ao fim da escala 6×1

Em assembleia, a categoria aprovou que não aceita jornada diária acima das 6 horas já cumpridas, e o Sindipúblicos vai cobrar da empresa o cumprimento da nova legislação a partir de 16 de dezembro
Os Agentes de Transporte da Ceturb-ES participaram, na tarde desta quinta-feira, 5 de novembro, de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada pelo Sindipúblicos. O encontro foi híbrido, com participação presencial no auditório do sindicato, em Vitória, e online pelo Google Meet. A assembleia foi conduzida pelos diretores do Sindipúblicos Silvia Sardenberg e Rodolfo de Mello.
O centro do debate foi a proposta da Ceturb para adequar as jornadas de trabalho à nova legislação que acaba com a escala 6×1 e estabelece a escala 5×2. O ponto mais criticado foi a intenção da empresa de aumentar a carga horária diária da categoria. A medida foi duramente rejeitada pelos trabalhadores, que a consideram inconstitucional e contrária ao que o próprio governo Lula tem defendido: garantir mais qualidade de vida a quem trabalha.
A trabalhadora Cristiana Fábia Ribeiro relatou a realidade de adoecimento da categoria e os impactos que uma jornada maior traria. “Não queremos nada fora da legalidade, nem fora da ética. Ficamos indignados com a resposta da assessoria jurídica da empresa durante a reunião, mas foi apenas uma conversa inicial. Mostramos à Ceturb a realidade de adoecimento de quem está na ponta, lidando diretamente com o público. É o carro, é a família, é o documento, são várias situações que geram muito estresse, e as doenças ocupacionais têm aumentado. Se a carga horária diária passar de 6 horas, na prática serão mais de 7, porque é preciso ter o intervalo de descanso. E a pressão psicológica vai aumentar, já que, possivelmente, quem está no terminal nem vai sair do local de trabalho nesse intervalo”, afirmou.
O vice-presidente do Sindipúblicos e trabalhador da Ceturb, Mauro Ribeiro, lembrou uma experiência recente do Sindicato e apontou a resistência da atual gestão da empresa. “Na Ceasa, conseguimos negociar o fim da escala 6×1 para os 40 novos agentes antes mesmo da PEC. Na Ceturb é diferente, porque já temos contrato assinado e vamos ter que negociar. Mas essa diretoria, que já está de saída, não parece ter interesse em mexer nisso”, avaliou.
Outro trabalhador reforçou que a categoria não vai trocar um direito por outro. “Temos direito a trabalhar 6 horas, está no contrato, e qualquer mudança tem que passar por acordo coletivo. O fim da 6×1 foi o governo federal que deu, não a Ceturb. Não vamos abrir mão de um direito para ter outro”, destacou.
Depois de várias falas, a assembleia aprovou por ampla maioria a rejeição de qualquer proposta da Ceturb que altere a carga horária diária para além das 6 horas que a categoria já cumpre há mais de 35 anos. Também ficou decidido que o Sindipúblicos vai encaminhar um ofício à empresa reforçando que, a partir de 16 de dezembro, ela é obrigada a cumprir a nova legislação e substituir a escala 6×1 pela 5×2, sem alteração da jornada diária.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação
