
O discurso de André Garcia, secretário de “segurança” do Espírito Santo, durante o manifesto dos trabalhadores nesta manhã foi estarrecedor, deixando bem claro que a Polícia Militar estava preparada e autorizada para agir com todas as forças contra os trabalhadores e a população.
Em entrevista à Rede Gazeta, André Garcia acabou por se contradizer, já que defendeu protestos realizados no último domingo, que inclusive teve inúmeros relatos de transtornos que esses ocasionaram à população e até mesmo à fiéis que participaram de atividades da Festa da Penha, inibido também o ir e vir de parte da população, mas que recebeu todo apoio institucional do governo estadual. Sendo até liberado que os ditos “manifestantes pacíficos” invadissem as pistas da Terceira Ponte.
Já nesta quarta-feira, antes dos trabalhadores chegarem aos locais previstos, os PM’s já estavam dispostos para retirá-los à força, utilizando balas de borracha e spray de pimenta, o que chegou a causar feridos. E na Terceira Ponte, hoje o discurso já era outro, que os trabalhadores não podiam atravessar a via por questões de segurança.
Ressalta-se que, diferente do divulgado pela mídia, em nenhum momento houve confronto dos trabalhadores com a PM, mas sim a exaltação de alguns poucos moradores da região da Vila Rubim que são afetados diariamente pela ineficiência da PM e inexistência de uma política pública de segurança que deixa a região à mercê do tráfico e prostituição. Sendo assim, quando foram atacados com bombas de gás pela PM, se revoltaram contra os policiais. Um dos manifestantes foi gravemente ferido na cabeça (foto). Na Terceira Ponte a PM também atirou bombas de gás e chegou a desligar o carro de som, inibindo o direito de se comunicar dos trabalhadores.
A fala do secretário de segurança só vem reforçar o aparelhamento do Estado pelo grande empresariado que financia as campanhas políticas.
PM realiza papel privado na Findes
Ao chegar na Findes, só mais uma comprovação, os PM’s estavam a postos protegendo um prédio de uma instituição privada. Justo esta tal Federação que é abertamente a favor da terceirização. Além de poder ser considerada ilegal, a atitude da PM de fazer a segurança privada, a ação se contradiz o discurso da Findes, se defendem tanto a terceirização, por que não contrataram seguranças privados para proteger o prédio deles? Que por sinal, como diria um dos trabalhadores “não se preocupem, somos ordeiros e não temos interesse em entrar neste prédio, temos é nojo e queremos distância dessa corja que só quer nos explorar”.
Liminar
Para justificar a ação truculenta da PM, o governo estadual conseguiu uma liminar que tentava proibir que os trabalhadores se manifestassem. Liminar essa que pode ser considerada totalmente ilegal, já que a responsabilidade de intermediação de um conflito trabalhista seria da Justiça do Trabalho e não da justiça estadual, que inclusive tem sido duramente criticada e denunciada devido ao seu aparelhamento junto ao governo estadual. Estranha-se ainda que o autor da ação foi o Ministério Público Estadual que hoje faz parte do governo estadual tendo membros atuando como secretário e corregedor. O mesmo Ministério Público que nada faz pelo excesso de contratações irregulares no serviço público ou que também não age no caso do pó preto que infecta toda a sociedade. O MP-ES poderia se espelhar no Ministério Público Federal que está colocando os corruptos na cadeia ao invés de criminalizar os movimentos sociais. Lembrando que o senhor André Garcia é também promotor do Estado de Pernambuco, sendo assim, esse senhor poderia ter a decência de retornar às suas atividades na Instituição para que possa agir de forma legal e moral.
E quanto ao MP-ES, esse deveria também se preocupar em agir em conformidade com a lei, cumprir a decisão do CNMP e nomear os concursados, e não continuar a manter empresas terceirizadas realizando atividades que segundo a legislação seria prerrogativa apenas de servidores efetivos.
Ato Pacífico
Após a ação truculenta da PM no início da manifestação, todo o restante do ato foi pacífico e contou com o apoio da maioria dos motoristas e da população que estavam nas ruas, além de pessoas que acenavam das janelas. “Meu chefe já disse que vai me demitir, pois só geramos custo, que assim que puder irá contratar uma empresa para cuidar do meu setor” comentou uma auxiliar administrativa, funcionária de uma concessionária.
“Fiquei muito revoltado quando vi que o deputado que votei está entre os que estão a favor dessa PL. Não sabia que ele era contra os trabalhadores. Acreditava muito nele, mas agora vi que não defende os trabalhadores. Vocês tem que continuar nas ruas alertando a gente. Só assim vamos mudar esse país de verdade” comentou um professor da rede particular.
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