Hoje muito se comenta sobre a capacidade de gestão do governo Hartung. Qual seu maior sucesso? Ora, seu maior sucesso é o insucesso do vizinho Rio de Janeiro. A bancarrota da economia carioca veio bem a calhar para o governador capixaba, que em suas excursões como palestrantes compara as gestões dos dois estados, se vangloriando como bom administrador.
E sob a sombra da calamidade dos vizinhos, Hartung diz ser fundamental realizar uma política de cortes nos serviços públicos e arrocho salarial aos servidores, em contrapartida, mantém isenções fiscais para empresários. Para agravar a situação, o governo capixaba vem realizando uma verdadeira tortura psicológica, com ameaças constantes, “temos que cortar, cortar e cortas, para conseguir pagar” E ainda faz ameaças de atrasos nos pagamentos em uma folha de 460 milhões de reais (segundo entrevista dele mesmo à rádio CBN).
Na prática, diferente do que Hartung vem vendendo em suas palestras, o Estado está congelado, sem investimentos, com uma economia estagnada, soma-se à isso escândalos de corrupção que são abafados pela mídia que continua sendo agraciada com verbas milionárias. Vamos aos fatos:
1) Posto Fiscal de Mimoso do Sul
Em 2005 Paulo Hartung começou a construir um posto fiscal próximo à divisa com o Rio de Janeiro, no município de Mimoso do Sul. A obra se iniciou e foi gasto mais de R$ 21 milhões na terraplanagem, logo após, a obra foi suspensa e nunca mais retomada. Questionado pela justiça, ele disse que o governo havia desistido da obra pois a nota fiscal eletrônica já resolveria o problema. Entretanto, mesmo após desistir da obra, foi gasto mais de R$ 3 milhões em obras no mesmo local. Se não vale mais a pena construir um posto fiscal, não poderia o estado ter aproveitado os já 25 milhões gastos e construído alguma outra estrutura pública para a região?
2) Compra superfaturada de repelentes
Em 2016 os capixabas foram surpreendidos com uma compra exorbitante de repelentes. No mesmo período a prefeitura da Serra comprou uma quantia de repelentes à R$ 8, enquanto o governo Paulo Hartung comprou a mais de R$ 23 reais cada repelente! O prejuízo aos cofres públicos foi superior a R$ 1 milhão de reais. E aí, os valores foram ressarcidos? TODOS os gestores envolvidos foram punidos?!? Ao que se ve, saiu o subsecretário de Saúde, mas o titular permaneceu.
3) Compras “emergenciais” sem licitação
Ainda em 2016 a secretaria de Saúde esteve envolvida em outro escândalo de corrupção. A abertura de um pregão para compra de kits de oxigênio para pessoas com deficiência. Participaram as empresas GlobalHosp e Hometec. A Global reclama apresentou o menor preço e não levou o contrato, que acabou entregue à sua concorrente, a Hometec, por meio de um contrato emergencial. A Global já fornecia o material desde 2009. Em 2014, vencido o prazo, o estado continuou comprando dela por meio de pagamento indenizatório.
Já na educação, o governo contratou, também emergencialmente a fundação da UFJF para “operacionalização” da prova do Programa de Avaliação da Educação Básica do Espírito Santo (PAEBES).
4) SEM LICITAÇÃO, governo contrata ambulâncias privadas
Também em 2016, por falta de planejamento, o Estado ficou com déficit na quantidade de ambulâncias e precisou mais uma vez recorrer à contratações emergenciais para remoções de pacientes pagando até mais de 4 mil reais POR REMOÇÃO. Um levantamento feito pela CBN apurou entre empresas do ramo que o gasto médio seria pouco maior que mil reais num transporte especial e menos de 500 reais num transporte simples. O governo fez um contrato terceirizando parte do serviço de remoções em ambulância por mais de 6 milhões de reais, com duração de 6 meses. Tudo, sem licitação.
5) Falta de concursos públicos
Poderiam ser citados outros casos de problemas administrativos e suspeição de corrupção, entretanto, é preciso reforçar que um serviço público de carreira, efetivo, concursado, gera vantagens para o estado. O servidor que entra no estado por meio de concurso público possui independência e autonomia para se dedicar ao trabalho com visão mais duradoura de seu serviço.
Ele trabalha para o Estado e não para um deputado que o indicou ao governador em troca de venda de votos. Quanto mais cargos um político tem capacidade de oferecer a apadrinhados, mais aparelhado os serviços públicos ficam, o que gera desperdício e falta de eficiência (devido a seleção por “indicação política” e não pela qualidade intelectual). O servidor DT ou comissionado, além de tudo, é submetido politicamente. Acaba fazendo o trabalho de forma que agrade alguém acima dele.
Não possui proteção legal, logo, tem que cumprir ordens mesmo que comprometam o bem público, por vezes, inclusive, atendendo favores ou fechando os olhos para fiscalização de algum estabelecimento que, por ventura, aquele deputado que o indicou, por exemplo, possa ter influência.
A ausência de concurso publico é diretamente vinculada aos níveis de corrupção do país, desperdício de dinheiro público e aparelhamento do estado pela casta de privilegiados, sem isonomia e sem autonomia. No Espírito Santo já se tornou rotineira a abertura de processos seletivos para Designação Temporária em detrimento à concursos públicos.
6) Cais das Artes
A Obra faraônica “Cais das Artes” começou em 2010, já passou por 3 empresas contratadas para finalizar a obra. A última faliu, e o Estado até o momento não conseguiu reaver os valores pagos. Já foram gastos R$ 126 milhões de reais. E para a conclusão do espaço ainda são estimados mais de R$ 90 milhões. Valores superior ao previsto inicialmente que eram de R$ 134 milhões.
Enquanto o governo gastou milhões em um projeto para agradar a elite capixaba, milhares de pacientes estão nos corredores dos hospitais estaduais, com falta de medicamentos, leitos, equipamentos e déficit na equipe. No São Lucas, por exemplo, faltava um Raio-x, que custava apenas 240 mil reais, valor irrisório comparado ao gasto com publicidade e obras faraônicas.
7) Deteorização proposital de prédios para aluguel de espaços privados
Mais uma vez para agradar à iniciativa privada, nota-se que diversas secretarias e autarquias tem deixado deteriorar seus imóveis ao ponto que ficam inabitáveis. Em contrapartida, o governo Hartung aluga imóveis privados. Um dos exemplos mais graves é o do IPAJM. Já foram mais de R$ 2 milhões só com o aluguel. E mais, apesar do espaço para a perícia, esta atividade continua sendo realizada em outro prédio alugado. Enquanto isso, o prédio próprio do IPAJM continua abandonado na Av. Vitória.
Quanto à previdência estadual, é preciso ainda ressaltar que mesmo sendo superavitária, Hartung quer fazer alterações para utilização do fundo previdenciário das aposentadorias dos servidores visando equilibrar o rombo ocasionado pelas isenções fiscais.
Em 2009 o Detran comprou uma das torres do Centro Empresarial, localizadas na Av. Fernando Ferrari no valor de 17 milhões. Embora o imóvel não tenha sido ocupado durante todo esse tempo, até agora já foram gastos quase 30 milhões entre reformas e adequação do imóvel às atividades do órgão, sem contar com o pagamento mensal de condomínio, em de 40 mil reais. O Ministério Púbico de Contas investiga o caso, mas certamente estamos longe de ver punições aos responsáveis pelo desperdício do dinheiro público.
8) Elevação dos gastos com publicidade
Os gastos com publicidade em 2016 foram calculados para 73 milhões de reais. Desses, a SECOM responde apenas por 11 milhões.
9) Isenções fiscais exageradas
O prognóstico é que o governo do ES abra mão de 4,3 bilhões em impostos até 2018. Essas renuncias fiscais são de empresas como indústrias de bebidas à moveleira. A justificativa é geração de emprego, mas há divergência na avaliação entre economistas da quantidade efetiva de emprego gerado e a qualidade de tais empregos, bem como a contrapartida social e os impactos ambientais de alguns desses negócios.
Déficit
Apenas com os exemplos acima, isso sem falar na Mansão milionária do governador nas Montanhas Capixabas, e não declarada em seus bens, numa transação de um apartamento na Praia do Canto, que envolvou até mesmo sócios de uma rede de comunicação; custos com passagens aéreas para primeira dama em viagens de interesses particulares; entre outros casos mal explicados, pode-se contabilizar, por baixo, mais de R$ 5 bilhões que poderiam ser revertidos, realocados ou gastos de forma diferente, garantindo concursos e reposição de perdas salariais a servidores públicos, o que repercutiria num movimento para a economia muito mais satisfatório e eficaz que renuncias fiscais.
Falta fiscalização
O Sindipúblicos tem cobrado política e juridicamente insistentemente que todos os casos de indícios de corrupção sejam devidamente apurados e seus responsáveis punidos. No entanto nota-se uma morosidade dos que deveriam zelar pela fiscalização do executivo estadual, com deputados subservientes ao Palácio Anchieta e a justiça capixaba morosa nos julgamentos de fatos em que envolvem o governador e seus aliados.
Com informações de A Gazeta, A Tribuna, CBN Vitória, Folha Vitória, Congresso em Foco, Século Diário, Estado de S.Paulo.