

O primeiro dia do Apagão de Todos os Serviços Públicos Estaduais foi marcado por uma forte mobilização em Assembleias Setoriais do funcionalismo público, em diversos órgãos em todo o Estado, repudiando a postura de descaso do governador Hartung. À tarde, os servidores se concentraram em um ato público na passarela do Forte São João, próximo a Seag, marcando o encerramento do dia de manifestação.
O Fórum das Entidades dos Servidores Públicos do Espírito Santo (Fespes) mais uma vez mostrou que o funcionalismo público não vai se calar diante dos absurdos que estão sendo praticados pela gestão do governo do Estado. Os servidores fizeram cafés da manhã na porta de órgãos públicos, com bicicletas e carro de som, faixas, cartazes, totens displays, além de panfletagem, alertando à população sobre o caos no serviço público.
Os servidores do Detran, IPAJM, IJSN, Iema, Incaper, Idaf, Junta Comercial, Ceturb, Iases, secretarias de Estado da Assistência Social e do Desenvolvimento Urbano, além de outros órgãos, aderiram à manifestação. O movimento se expandiu ainda para o interior. Todos os 78 escritórios do Incaper fizeram manifestações em todo o Estado, além do Idaf.
Integrante do Fespes, o Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindipol-ES) se reuniu em Assembleia Geral da categoria durante a manhã, quando ficou deliberado que as delegacias vão aderir ao movimento, em manifestações regionais. Haverá movimentos nas delegacias de Aracruz, Colatina e Linhares na quarta-feira, 16 de setembro. Na quinta-feira (17), o ato é nas unidades de Cachoeiro de Itapemirim e Guarapari. Já na sexta-feira (18), acontece uma manifestação em frente à Chefatura da Polícia Civil, na Reta da Penha, em Vitória, entretanto não serão realizadas paralisações nos serviços prestados pelo Instituto Médico Legal (IML).
Chuchus
A partir das 14 horas, os servidores se concentraram na Avenida Vitória, próximo à Secretaria de Estado da Agricultura (Seag) em um grande ato de encerramento do dia primeiro dia de manifestações, com tribuna livre e distribuição de chuchus para a população, em alusão ao tratamento ruim dado pelo governo ao povo capixaba. Os servidores enfeitaram a passarela da via com faixas em alusão à campanha “Hartung, esse abraço eu não quero”, do Fespes, e fizeram panfletagem.
Os atos chamaram atenção de quem passava nas ruas. Motoristas de ônibus buzinavam em apoio ao movimento. O Apagão de Todos os Serviços Públicos tem continuidade nos dias 16, 17 e 18 de setembro.
A partir das 8 horas desta quarta-feira, 16 de setembro, serão realizadas novas Assembleias Setoriais simultâneas em todas as unidades das autarquias e secretarias de estados, quanto os servidores estarão discutindo mais um item da pauta unificada de reivindicações. Às 14 horas, será realizado mais um ato público, em frente à Secretaria de Estado da Educação.
Negociação
O intuito do Fespes é chamar a atenção da população para a ingerência do governo do Estado. A luta visa à garantia de que os serviços públicos recebidos pela sociedade capixaba possuam a qualidade devida. Durante as manifestações do Apagão de Todos os Serviços Públicos Estaduais, os serviços essenciais à população não foram afetados. Esse é um compromisso do Fespes, que respeita as formas legais de manifestação e busca minimizar ao máximo os transtornos causados ao povo capixaba durante os atos, afinal, a população merece mais atenção do governante que elegeu.
Os servidores buscam a negociação com o governo Hartung, pautados em direitos garantidos em leis e em números fazendários do próprio Executivo que provam que o discurso de crise não justifica as negativas do governador. As pautas unificadas da categoria, discutidas nas Assembleias realizadas durante o Apagão são: recomposição das perdas salariais dos últimos doze meses; estabelecimento de uma data base; pagamento imediato do auxílio alimentação; e criação de uma mesa permanente de negociação.
Apagão
O termo “Apagão”, da campanha publicitária do Fespes, faz alusão ao termo utilizado pelo próprio governador – inclusive em entrevista à imprensa. Ao falar da suposta crise financeira pela qual a atual gestão garante que passam os cofres estaduais, Hartung afirmou que os serviços públicos poderiam passar por um “apagão” caso os cortes nas verbas não fossem feitos.
Do mesmo modo, a campanha “Hartung, esse abraço eu não quero” refere-se ao abraço pedido pelo governador ao povo capixaba durante a campanha eleitoral. Afinal, após eleito, o governador tem dado um “abraço” muito mais espinhoso na população, com cortes nas verbas de áreas essenciais, como saúde, educação e segurança.