No 8M, servidoras cobram políticas públicas do governo estadual

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As servidoras públicas estiveram presentes no 8M no Centro de Vitória levando suas demandas por valorização salarial, equidade de gênero, contra assédios moral e sexual, dentre outras pautas da categoria, à luta das demais mulheres que lotaram as ruas do centro pedindo direito e respeito.

Antes do ato iniciar, durante a Assembleia Geral Unificada, foi aprovada por unanimidade a posse da então diretora de assuntos jurídicos, Renata Setúbal, como presidente interina do Sindipúblicos durante o mês de março.

“Entendemos que esse ato simbólico, reforça a valorização e importância da nossa diretoria para a pauta das mulheres”, registrou Iran Caetano ao passar o cargo temporariamente à companheira. 

A luta contra o feminicídio foi um dos pontos marcantes durante todo o ato, que reuniu diversas entidades do campo e da cidade, como sindicatos, movimentos sociais, representantes dos povos originários, lgbtqia+, dentre outros que destacaram a necessidade da sociedade acabar com o machismo estrutural. 

Ao final do ato, foi entregue ao governo do Estado, para a secretária de estado das mulheres, Jacqueline Moraes,  o Manifesto 8M (abaixo) que cobra políticas públicas efetivas às mulheres.

Durante a reunião, a presidenta em exercício do Sindipúblicos, Renata Setúbal, cobrou a necessidade do governo Casagrande avançar no atendimento às demandas das servidoras. 

“Precisamos, nós mulheres, estar nos cargos de gestão. O governo do Estado precisa implantar políticas públicas nesse sentido. Nós mulheres somos a maioria no serviço público, mas não estamos nos cargos de decisão, nos cargos de gerência, de liderança. Está o patriarcado, que muitas vezes sufoca as mulheres que têm grandes ideias. A política pública precisa dos servidores para chegar à sociedade. Nada mais justo que as mulheres estejam nesses cargos de liderança. O governo do Estado tem que estabelecer paridade nos seus cargos de gestões. Dentre outras políticas para mulheres. Nós não temos auxílio-creche regulamentado. Muitas vezes, as mulheres não podem assumir compromissos porque não têm com quem deixar suas crianças. Temos ainda a pauta do assédio moral e sexual no serviço público. Recebo inúmeras denúncias sobre isso pelo Sindicato. A maioria das vezes, essas mulheres são assediadas por cargos comissionados no governo, que sequer fizeram concurso e estão ali assediando as servidoras. Precisamos, juntas, de mãos dadas, avançar nisso, para construirmos políticas públicas que valorizem realmente as servidoras públicas”.

 

Manifesto 8M 

A luta contra as diversas formas de violência contra a mulher é pauta prioritária no mês de março e o Manifesto 8M de 2024 reúne várias reivindicações para exigir políticas públicas eficazes. Escrito em conjunto com várias entidades, o documento destaca a urgência de medidas concretas para combater a violência de gênero, especialmente em um estado onde as estatísticas de violência contra mulheres continuam alarmantes.

O Espírito Santo abriga uma população feminina de mais de 1,9 milhões de pessoas, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves, o que destaca o tamanho do desafio enfrentado pelas autoridades em lidar com o combate a violência de gênero.

O Manifesto expõe, por exemplo, que mulheres negras enfrentam um risco desproporcionalmente maior de violência letal. “De acordo com dados nacionais do Atlas da Violência de 2023, de 2011 a 2021, mais de 49 mil mulheres foram assassinadas. Somente em 2021, 3.858 mulheres foram mortas violentamente no Brasil, ou seja, mais de 10 mortes por dia”, destaca o documento.

A escalada da violência armada é indicada como um fator significativo nos feminicídios no país. A posse indiscriminada de armas de fogo tem contribuído para aumentar a letalidade dos ataques contra mulheres, exigindo uma ação urgente por parte das autoridades.

Políticas públicas abrangentes, que abordem não apenas a violência física, mas também questões como acesso ao aborto seguro e legal, saúde mental e direitos reprodutivos, também são demandas aclamadas pelo manifesto. Assim também como o posicionamento contra a exploração de sal-gema e pela não expropriação de quilombolas, contra o racismo ambiental e por comida no prato, sem agrotóxico.

O documento também traz a solidariedade internacional à realidade palestina e ao âmbito latino-americano, nos solidarizamos com todas as mulheres que sofrem em seus países ameaças e efetivação de golpes.

Nesse Dia Internacional de Luta das Mulheres, o Manifesto 8M 2024 serve como um lembrete poderoso do trabalho que ainda precisa ser feito para alcançar uma sociedade verdadeiramente igualitária e justa para todas as mulheres.

 

 

 

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