

Neste mês de março, reafirmamos: mulheres idosas importam. Importam suas histórias, suas lutas, seus saberes e sua presença ativa na sociedade.
Por Crismédio Costa
Março é reconhecido mundialmente como o mês de celebração e reflexão sobre as conquistas históricas, sociais e políticas das mulheres, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Contudo, é imprescindível ampliar essa reflexão para um grupo historicamente invisibilizado nas pautas públicas e nas políticas estruturantes: a mulher idosa.
O envelhecimento feminino é uma realidade demográfica incontestável. As mulheres vivem, em média, mais que os homens, o que resulta em uma feminização do envelhecimento. Esse fenômeno exige atenção especial do Estado e da sociedade, pois as mulheres idosas estão mais expostas a situações de vulnerabilidade social, violência, abandono, desigualdade previdenciária e invisibilidade institucional.
Do ponto de vista científico, estudos em gerontologia demonstram que o envelhecimento é um processo biopsicossocial. A mulher idosa carrega especificidades relacionadas à saúde física, saúde mental, condições socioeconômicas e experiências acumuladas ao longo da vida.
Reconhecer essas especificidades é fundamental para a formulação de políticas públicas eficazes e inclusivas.
Sob o aspecto jurídico, a Constituição Federal de 1988 assegura a dignidade da pessoa humana como fundamento da República. O Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) garante direitos fundamentais à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
Ademais, tratados internacionais de direitos humanos reforçam o dever de proteção integral à pessoa idosa, com especial atenção às múltiplas formas de discriminação que podem incidir sobre as mulheres.
Valorizar o envelhecimento feminino significa reconhecer que a mulher idosa não é sinônimo de fragilidade, mas de resistência, trajetória e contribuição social. Significa combater o etarismo e o sexismo, que muitas vezes se somam para excluir mulheres mais velhas dos espaços de decisão, do mercado de trabalho e da representatividade social.
O Movimento Global Vidas Idosas Importam tem empreendido esforços contínuos na promoção, conscientização e mobilização social em defesa da mulher idosa. Por meio de campanhas educativas, projetos comunitários, articulação com conselhos de direitos e incidência pública, o movimento atua para assegurar que nenhuma mulher idosa seja invisibilizada ou desprotegida.
Neste mês de março, reafirmamos: mulheres idosas importam. Importam suas histórias, suas lutas, seus saberes e sua presença ativa na sociedade. Promover a valorização do envelhecimento feminino é um dever ético, científico e jurídico.
Fonte: Portal do Envelhecimento – Crismédio Costa (*) – 08/03/2026
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(*) Crismédio Costa – Biomédico e Ativista dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação