Os servidores do Iases denunciam a falta de segurança da Unidade de Internação Regional Norte em Linhares. Para os trabalhadores, o Estado precisa garantir segurança reforçada para que as atividades socioeducativas possam ser realizadas.
“Não temos segurança interna e externa que deveríamos e necessitamos ter. A unidade que trabalhamos se encontra em Jataipeba, há 20 km distantes do centro de Linhares, região de desova de cadáveres, tráfico de drogas, prostituição… Estamos com receio de assumir um plantão sem nenhuma segurança e ainda mais com a destruição dessa última rebelião. É difícil. Não sei se quero voltar a trabalhar naquele lugar. Com a falta de valorização, onde sequer houve a aprovação por parte do governo do nosso Plano de Cargos e salários, e com a falta de estrutura das unidades, é impossível reeducar os internos”, desabafa um dos servidores.
O Sindipúblicos vem denunciando com frequência a calamidade no sistema socioeducativo capixaba. As denúncias foram inclusive acatadas pelo Tribunal de Justiça que solicitou imediata reformulação em todo Sistema. No entanto, na prática, apesar até mesmo das prisões de envolvidos em esquema de corrupção que funcionava dentro do Iases, a precariedade continua. “Vamos continuar lutando pela melhoria das condições de trabalho de nossos profissionais. Não tem como fazer uma socioeducação sem condições dignas de trabalho para os servidores. Isto tem deixado os profissionais doentes e com medo. Já estamos tomando todas as medidas jurídicas cabíveis para exigir que o Estado respeite os profissionais que trabalham na Unidade e que possam desenvolver uma socioeducação verdadeira. Exigimos ainda que acabe com o excesso de cargos temporários, não tem como fazer ressocialização sem servidores efetivos qualificados”, comenta Gerson Correia de Jesus, presidente do Sindipúblicos.
Opinião também reforçada por um dos trabalhadores da unidade. “Antes de o Estado pensar em ressocialização, ele deveria primeiro se ressocializar, demitindo este monte de gente incompetente, acabando com este cabide de emprego, e com este tanto de cargos temporários e comissionados, enfim colocar gente séria para trabalhar, valorizar, ouvir e atender as reivindicações dos servidores. O IASES não valoriza e nem respeita os seus profissionais.” desabafa outro servidor.
Rebelião
No domingo (06), às 17h, mas precisamente quando terminou a visita familiar, os adolescentes da Unidade de Internação Norte em Linhares iniciaram um motim em uma moradia denominada Motivação, os adolescentes iniciaram a maior confusão, quebraram os cadeados e soltaram os colegas que já estavam trancados. Após isso, começaram uma verdadeira destruição, queimando e quebrando objetos. Não restou quase nada da Unidade.
A Polícia Militar foi acionada, e ajudou a conter os rebelados. Dos 90 adolescentes, cinco conseguiram fugir. Os adolescentes ameaçavam de morte os demais companheiros de gangues rivais. A rebelião durou das 17h até aproximadamente 00h30 quando o BME entrou na Unidade. A situação só foi totalmente controlada as 02h30.
Às 3h do dia 07 de janeiro o BME deixa a unidade. E às 10h os adolescentes deflagram uma nova rebelião fazendo quatro agentes e um educador social como reféns que foram torturados e sofreram agressões físicas com barras de ferro e chuchos (objeto pontiagudo). O BME retornou à unidade e só conseguiu controlar a situação, com a liberação dos reféns, após as 16h.
Unidade sobre intervenção
A Unidade de Internação Regional Norte está dentre aquelas que tinham gestão compartilhada entre o Instituto de Atendimento Socioeducativo (Iases) e a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis), que está sob intervenção depois que a Operação Pixote detectou um esquema de corrupção nos contratos firmados entre a autarquia e a organização social. Leonardo Grobério, diretor-presidente do IASES, nega qualquer ligação entre as mudanças após a intervenção e a rebelião e reforça que os adolescentes não apresentaram nenhum motivo para o acontecimento do último final de semana.
Foto: TV Gazeta