
Os cortes do governo estadual na Segurança Pública atingiram em cheio as ações das Polícias Civil e Militar. As duas instituições enfrentam uma redução de até 35% na cota de combustíveis para suas viaturas. Além disso, houve suspensão da internet em pelo menos 62 delegacias da Polícia Civil e na maioria dos Destacamentos Policiais Militares (DPMs) localizados fora da Grande Vitória.
Recente documento divulgado nas redes sociais, mostra que o limite de gasto com combustível para os veículos da PM, em Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Espírito Santo, é de R$ 50 por dia. O tenente-coronel Marin, responsável pela região, confirmou a veracidade do documento, mas corrigiu o valor, segundo ele, o limite seria de R$100 a R$150 por dia. “Se o policiamento já não está satisfazendo, imagina criando mais uma limitação. O policial tem que se preocupar que não pode passar de R$ 50”, lamenta o militar reformado Alberto do Amaral.
Com a redução na cota de combustíveis, quem perde é a população, pois menos viaturas passam a circular pelas ruas dos bairros da Grande Vitória e das cidades do interior. Em alguns municípios, a PM passou a realizar o policiamento nas zonas rurais apenas uma vez por semana ou em caso de emergência. Com menos combustível, as delegacias da Polícia Civil tiveram de reduzir também a entrega dos mandados de intimação para acusados de crimes, vítimas e testemunhas.
Os cortes também atingiram o Disque-Denúncia (181) e a Central do Ciodes (190), que tiveram seu quadro de funcionários reduzidos, tendo sido demitidos 45 atendentes do “190” e treze do “181”. Na prática, essa redução gera demora no atendimento aos pedidos de socorro em aproximadamente 75 mil chamadas no Ciodes e em 16.250 ligações para o Disque-Denúncia por mês.
Na contramão do avanço tecnológico, a Polícia Civil do Estado do Espírito Santo decola rumo ao total retrocesso, tendo em vista que o governo estadual também cortou a internet, que já era lenta, em várias delegacias da Grande Vitória e do interior do Estado, visando, ao que parece, cortar a rede de informações dos policiais civis com o restante das polícias e sistemas de segurança do Brasil.
Fato que traz sérias consequências e prejuízos no trabalho dos servidores policiais civis bem como na vida de todos os cidadãos capixabas, já que a Polícia Civil disponibiliza serviços e ferramentas via internet, tais como a solicitação do Boletim de Ocorrência via internet na Delegacia Online, além da apuração de crimes de pedofilia, crimes envolvendo armas, a eficiência na comunicação entre o Poder Judiciário e a PC, entre outros.
A internet também é utilizada pelos policiais civis a fim de dar suporte ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Esses conhecimentos essenciais vão desde a identificação, a qualificação de foragidos da Justiça, suspeitos de autorias de crimes, identificação de desaparecidos, checagem de informações no sistema prisional, informações junto à base para a identificação de veículos e confronto de informações de pessoas.
Com a política de cortes imposta pelo governo, enquanto o caos mais uma vez vai se instalando nas Polícias Civil e Militar do Estado do Espírito Santo, fica evidente que a precariedade na segurança pública interessa a um grupo de empresários que explora a segurança privada. Surpreendentemente, alguns desses empresários chegam a ter cargos de chefia em secretarias do governo estadual.
Com informações da Tv Gazeta.