

O governo estadual parece estar disposto a usar de todas as armas do marketing para convencer à sociedade que o Estado está quebrado. Dessa vez, por um valor de R$ 293 mil reais, foi contratada a empresa Oficina da Palavra, de Brasília (DF), para ministrar um curso de “media training” aos secretários e diretores de autarquias do governo do Estado.
Na prática, o “media training” ensina como uma pessoa deve se portar, do gestual ao discurso, em entrevistas para a imprensa, para que sua fala passe maior credibilidade e consiga sair de alguma saia-justa, caso o repórter pergunte algo que possa comprometê-lo. Ou seja, a única, e vergonhosa, explicação para esse desperdício de dinheiro é a “necessidade” que o governo tem de convencer a sociedade da existência de uma “crise”.
Mais uma vez o gasto vem de encontro ao discurso da própria crise, já que se falta dinheiro para áreas fundamentais à sociedade, como saúde, educação, segurança, é no mínimo uma irresponsabilidade fazer um gasto “supérfluo” que só contribuirá para mascarar a realidade do Estado.
Ressalta-se ainda que se o governo realiza uma boa gestão, não terá necessidade de nenhum curso para fazer com que o discurso convença alguém. E o pior, a escolha de uma empresa de fora do Estado ainda desqualifica o trabalho de inúmeros profissionais da comunicação do Espírito Santo, inclusive muitos que estão dentro do próprio governo, e que poderiam realizar o trabalho junto ao secretariado sem necessidade de custos extras.
Nota-se ainda que, dentre as funções dos assessores de comunicação estaria esse trabalho junto ao assessorado, sendo assim, o Estado, que possui mais de um assessor por secretaria / autarquia, o trabalho contratado revela um custo desnecessário.
Enquanto o Estado contrata curso particular para o secretariado, os servidores efetivos sequer conseguem participar dos cursos realizados na Esesp, e ficam durante anos na fila sem serem atendidos.
Com informações de A Gazeta