
Apesar do governo possuir vários espaços que possibilitam a realização de eventos, como ginásios, quadras escolares, teatros, salões, ele preferiu levar seus gestores para curtir o clima de montanhas, bancado pela sociedade que paga altos impostos.
Durante os dias 05 e 06 de abril o Estado realizou no Hotel China Park, localizado em Domingos Martins, o Seminário de Planejamento Estratégico. Para deslocar os participantes e bancar alimentação, hospedagem e infra-estrutura, conforme despesas já publicadas no Diário Oficial, o governo gastou mais de R$ 72 mil, valores que podem ainda ser superiores visto a possibilidade de novas publicações de outras despesas ainda não processadas.
O evento acontece meses após o governador enfrentar uma de suas maiores crises de imagem, colocando em xeque sua gestão em âmbito nacional. Segundo avaliado no meio político, o Planejamento deve representar um divisor de águas entre a primeira fase do mandato de Hartung, marcado pelos cortes de investimentos, e a segunda parte, que retomará como salvador da Pátria apostando nas entregas de obras e serviços para consolidar a imagem de recuperação da economia.
Essa seria a lógica, visto o desdobramento do movimento das mulheres dos policiais militares, em fevereiro, e o desgaste na imagem causada pela divulgação da delação do ex-executivo da Odebrecht, Benedicto Júnior, o BJ, que inclui Hartung no rol de lideranças que negociaram recursos para a campanha eleitoral dos aliados em 2010 e 2012.
Durante o Planejamento, a ideia foi de mostrar a recuperação do Estado e esquecer a crise. O secretário de Estado de Economia Planejamento, Regis Mattos Teixeira, foi quem deu o tom dessa recuperação que o governo quer vender. Ele frisou que é o modelo de gestão do governo que lhe tem permitido atravessar a crise econômica mantendo a regularidade dos serviços públicos e as contas em dia, além de implantar políticas públicas inovadoras.
“O cenário atual é adverso, mas o Espírito Santo está organizado para responder aos desafios atuais”, disse Regis Mattos, citando o fato de o país ter hoje mais de 14 milhões de desempregados, dos quais, 278 mil estão no Espírito Santo. No Estado, destacou ele, a queda na arrecadação, em 2016, foi de 14%, em relação a 2014.
Além de jogar luz aos programas implantados no início do governo, como o Escola Viva e o Ocupação Social, ele aponta para o caminho que o governo vai seguir com entregas: rodovias como a Leste-Oeste, que liga Cariacica a Vila Velha, e a Cachoeiro-Coutinho, no sul do Estado, além do programa de barragens e do Sistema de Abastecimento de Água Reis Magos, que vai beneficiar, diretamente, 150 mil pessoas, e reforçará o sistema que abastece a Região da Grande Vitória.
No entanto, ao que parece o capixaba já cansou do discurso falacioso de Hartung, que promete obras faraônicas, e quando entrega, são obras básicas muitas vezes ainda incompletas, como o programa Águas Limpas, que prometeu na gestão anterior de Hartung 100% de esgoto tratado na Grande Vitória, fazendo com que vários córregos e rios fossem recuperados. Passados vários anos, o que se vê é a continuidade desses como valões e boa parte dos municípios ainda sem o esgoto tratado.
Vale destacar que a quase a totalidade das obras apresentadas, foram iniciadas em outros governos ou são de responsabilidade da união, ou seja, o governo Hartung nada teve de influência. Além disso, Hartung está sendo processado criminalmente no STJ e é citado na Lava Jato, sem falar nos inúmeros processos que estão parados no TJ-ES sob acusações de improbidade e de crimes cometidos contra a administração pública e a sociedade capixaba.
A realização de um evento em local privado, com custos bancados pelos cofres públicos é uma prática corriqueira no governo Hartung e afronta a sociedade que tem sido prejudicada diariamente com os cortes de verbas em áreas essenciais, como saúde, segurança, educação, agricultura. É preciso que esses gestores sejam responsabilizados pela má-gestão dos recursos públicos, e que nas próximas eleições a população não vote nessa espécie de políticos que são danosos para a Democracia e para a sociedade.
Com informações de Século Diário