Gastos do governo federal em saúde estão abaixo da média mundial

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Dados publicados nesta quinta-feira, 17, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que o governo brasileiro destina para a saúde um porcentual de 7,7% de seu orçamento geral. A taxa é inferior à média mundial, uma das mais baixas das Américas e não distante do que governos africanos também reservam de seus orçamentos para o setor.

A informação, que faz parte do relatório anual da OMS sobre as estatísticas da saúde global, foi publicado às vésperas do início da Assembleia Mundial da Saúde, que começa nesta segunda-feira.

Os níveis registrados pela OMS se referem aos cálculos com base no orçamento de 2015, o último ano em que se poderia fazer uma comparação global. O resultado apontou que, em média, governos gastam 9,9% de seus orçamentos com a saúde. Na Europa, a taxa chega a 12,5%, 12% nas Américas e 8,5% no Sudeste Asiático.

O índice mais perto da realidade vivida pelo Brasil foi a da África, com 6,9% em média de gastos dos orçamentos.

Mesmo assim, 17 países africanos destinam um porcentual de seu orçamento acima das taxas brasileiras. Entre eles estão Madagascar (15%), Suazilândia (14,9%) e África do Sul (14,1%).

Peso. O que os números da OMS também revelam é que a saúde ainda tem um peso grande para os orçamentos das famílias brasileiras. A compilação conclui que um quarto das famílias no País destina mais de 10% do orçamento doméstico para ser atendida. Apenas quatro países no mundo contam com índices superiores ao brasileiro: Georgia, Nicarágua, Nepal e Egito.

Na média mundial, 11,7% das famílias gastavam mais de 10% com saúde. Na Europa, a taxa é de menos de 7%. Um parcela de 3,5% da população brasileira ainda é obrigada a gastar mais de 25% de seu orçamento com a saúde.

Somando gastos privados e públicos, cada brasileiro gasta, em média, US$ 780 por ano. No mundo, a média é de US$ 822,00.

A OMS ainda destaca que, em países como a Dinamarca, os investimentos chegam a US$ 5,4 mil, enquanto a média europeia é de US$ 2,1 mil.

É inaceitável que o Brasil destine um valor mínimo à Saúde, o que acaba por acarretar outros inúmeros gastos indiretos afetando diretamente a economia. É preciso que a sociedade brasileira cobre nas urnas que os governos se comprometam a  investirem efetivamente na estruturação de uma saúde pública de qualidade, em especial no atendimento às prevenções de doenças. Enquanto isso, o dinheiro da saúde e da seguridade social está sendo desviado para o pagamento de juros para os agentes econômicos nacionais e internacionais.

Fonte: Estadão