Iema permite poluição maior que os níveis tolerados pela OMS

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A poluição na Grande Vitória é visível. Turistas quando passam pela Terceira Ponte de longe visualizam a cortina de poluentes que acinzentam o céu das cidades da metrópole.

Apesar da concentração também ser visível, localizada próxima as duas grandes empresas, Vale e Arcellor, o governo tem sido brando na fiscalização e punição aos excessos de poluentes emitidos diuturnamente por essas e demais empresas por todo o Estado.

Para piorar, conforme divulgado pelo jornal Século Diário, “os padrões adotados pelo Iema estão muito acima dos recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Para o PM10, por exemplo, consta, na tabela divulgada à sociedade, apenas a média de 24 horas. E no Decreto nº 3463-R/2013, a Meta 1 anual é de 45, mais do que o dobro do recomendado pela OMS”.

O site da OMS alerta que “a poluição do ar ameaça a todos nós” e informa que mais de 4,3 mil cidades, em 108 países, estão incluídas no banco de dados de qualidade do ar da OMS, tornando-o o banco de dados mais abrangente do mundo sobre poluição do ar. E que a base de dados coleta as concentrações médias anuais de material particulado fino (PM10 e PM2.5).

O PM2.5, explica a notícia, inclui poluentes como sulfato, nitratos e carbono negro, que representam os maiores riscos para a saúde humana. As recomendações de qualidade do ar da OMS exigem que os países reduzam sua poluição do ar para valores médios anuais de 20 µg/m3 (para PM10) e 10 µg/m3 (para PM2.5).

No entanto, a Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar (RAMQAr), do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), sequer inclui a medição do PM2.5 na tabela divulgada em seu site na internet. A medição é feita precariamente, em apenas uma ou duas estações e não pode ser acessada pela população.

Além disso, ambientalistas questionam a confiabilidade dos dados que são divulgados pelo Iema, visto indícios de falhas e vícios na mediação dos poluentes, conforme questiona Eraylton Moreschi Junior, presidente da Juntos SOS ES Ambiental.  “As informações do Iema não têm credibilidade, não são certificadas por ninguém. Algumas estações funcionam pela metade e geram dados com credibilidade questionável, pois não têm certificação e acreditação. Quem faz auditoria no RamQuar e no monitoramento da poeira sedimentável? Quem certifica o trabalho das empresas contratadas pelo Iema, Tomazi e Ecosoft? Elas são auditadas pelos técnicos do Iema? Se sim, onde estão esses relatórios? E esses técnicos são certificados e cumprem as exigências legais para fazerem essas auditorias?”, interroga.
Toda essa poluição, conforme já denunciado, inclusive via CPI do Pó Preto da Assembleia Legislativa em 2015 traz uma única certeza “a quantidade de pessoas com problemas respiratórios aumenta ano a ano”.

Enquanto isso, governo estadual, ministérios públicos, órgãos ambientais e a própria Assembleia até o momento não colocaram em prática as recomendações da CPI do Pó Preto, causando assim graves prejuízos à população.

Para discutir o assunto, no próximo dia 22 de maio, às 9 horas será realizado o evento A importância do monitoramento da qualidade do ar na Região Metropolitana da Grande Vitória” na Ufes. A professora Maria de Fátima Andrade irá falar sobre monitoramento da qualidade do ar em grandes cidades do Brasil e da América do Sul e sua importância para os estudos científicos. O evento ainda contará com uma mesa-redonda com participação do setor industrial, órgão ambiental, sociedade civil e academia.

Este ano durante as eleições, a sociedade deve elencar os políticos que se omitem quanto a manutenção do alto índice de poluição para retirá-los do poder, diante a omissão dos mesmos em fazer com que tenhamos um ambiente um pouco mais saudável para se viver.

SERVIÇO
Evento AGENDA UFES & JUNTOS
“A importância do monitoramento da qualidade do ar na RMGV”

Data: 22/05/2018, às 9h
Local: Auditório do Centro Tecnológico da UFES (segundo andar do prédio CT II)
Programação: 
– Palestra da professora Maria de Fátima Andrade sobre monitoramento da qualidade do ar em grandes cidades do Brasil e da América do Sul e sua importância para os estudos científicos
– Mesa-redonda com participação do setor industrial, órgão ambiental, sociedade civil e academia.
Entrada gratuita

 

Com informações de Século Diário