ES lidera desperdício de água no Sudeste e trata apenas 32,15% de seu esgoto 

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Valão Vila Velha

Em relatório divulgado esta semana pelo SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), referente ao ano de 2013, o Espírito Santo lidera o ranking de desperdício de água tratada na região Sudeste com 34,39% de perdas durante a distribuição.

O Estado também aparece em segundo lugar, perdendo apenas para o Rio de Janeiro em consumo de água per capita. Segundo dados do SNIS, o capixaba consumiu 191,14 litros de água por dia/por pessoa, superior à média nacional de 166,29 litros/per capita e apenas inferior ao Rio que consumiu 253,08.

Esses dados mostram que é preciso o Estado investir em campanhas de conscientização, fiscalizar e punir as concessionárias quanto às perdas de água tratada, que em grande maioria são ocasionadas pela morosidade das próprias concessionárias em atender às demandas de vazamentos. Não raro vemos água tratada jorrando pelas ruas e moradores vizinhos indignados por terem ligado várias vezes e a concessionária demorar a ir solucionar o caso.

Outro dado que reforça que muito do que se propagou pelo governo estadual não passou de manipulação dos dados é referente ao esgoto. Apesar de vivermos em uma região metropolitana com vários “mini” tietes, nossos populares “valões”, o Estado insiste que é eficiente na coleta e tratamento de esgoto, dado este desmascarado pelo relatório que comprova que apenas 41,93% do esgoto capixaba é coletado, e apenas 76,69 desse esgoto é tratado. Ou seja, o Espírito Santo só consegue tratar 32,15% do esgoto produzido, o que explica a existência do alto número de valões empodrecendo nossas cidades.

É preciso que o governo invista menos em propaganda e mais em ações concretas que possam reverter este quadro, garantindo esgoto tratado e reduzindo o desperdício de água, bem como incentivar o reaproveitamento das águas e o consumo consciente, reduzindo o consumo per capita.

Terceirizações

Um dos motivos da demora na contenção de vazamentos, ocasionando o desperdício de água seria a falta de investimento em concurso público nas concessionárias públicas que prestam serviço de água e esgoto no Espírito Santo. A mão de obra no setor de manutenção que atua na contenção de vazamentos é realizada quase que exclusivamente por trabalhadores terceirizados, e muitas vezes em condições totalmente precárias. Além disso, as agências reguladoras, como a ARSI – Agência Reguladora de Saneamento Básico e Infraestrutura Viária, também sofrem com a falta de servidores efetivos, bem como autonomia para realizar as fiscalizações no setor cobrando das concessionárias melhorias na qualidade dos serviços.

Relatório SNIS – 2013

Planilha_Resumo_Estado_Indicadores

Definições do SNIS
VOLUME DE ESGOTO COLETADO
Volume anual de esgoto lançado na rede coletora.
VOLUME DE ESGOTO TRATADO
Volume anual de esgoto coletado na área de atuação do prestador de serviços e que foi submetido a tratamento, medido ou estimado na(s) entrada(s) da(s) Estações de Tratamento de Esgoto.