Dia Internacional da Mulher, uma história de luta

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dia-da-mulher2015siteAs comemorações do dia 8 de março estão mundialmente vinculadas às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e sociedade mais justa e igualitária. Essa luta é antiga e contou com a participação de inúmeras mulheres que, nos vários momentos da humanidade, resistiram ao machismo e à discriminação.

É a partir da Revolução Francesa (Século 18) que as mulheres passam a atuar na sociedade de forma mais significativa, reivindicando a melhoria das condições de vida e trabalho, a participação política, o fim da prostituição, o acesso à instrução e a igualdade de direitos entre os sexos.

É nessa época que surge o nome da francesa Olympe de Gouges. Em 1791, ela lança a “Declaração dos Direitos da Cidadã”, onde reivindica o “direito feminino a todas as dignidades, lugares e empregos públicos segundo suas capacidades”. Ela foi julgada e condenada à morte e foi guilhotinada em 3 de março de 1793. Nesse mesmo ano, as associações femininas foram proibidas na França.

Na segunda metade do Século 18, as grandes transformações ocorridas no processo produtivo e que resultaram na revolução industrial, trouxeram consigo uma série de reivindicações até então inexistentes. A absorção do trabalho feminino pelas indústrias, com forma de baratear os salários, inseriu definitivamente a mulher no mundo do trabalho. Ela passou a ser obrigada a conviver com jornadas de trabalho que chegava a 17 horas diárias, em condições insalubres, submetidas a espancamentos e ameaças sexuais constantes, além de receberem salários menores que os homens.
 
Luta operária:

Não tardaram a surgir, na Europa e nos Estados Unidos manifestações operárias com enfrentamento com o patronato e a polícia. A redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias passou a ser a grande bandeira de trabalhadores industriais. No Século 19, depois de um enfrentamento com a polícia, a Inglaterra aprovou a lei que reduziu para 12 horas o trabalho das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos. O parlamento inglês aprovou em 1824, o direito de livre associação e os sindicatos se organizaram em todo o país.

Foi no contexto das manifestações pela redução da jornada de trabalho que 129 mulheres, da fábrica de tecido em Nova Iorque, cruzaram os braços e paralisaram os trabalhos pelo direito a uma jornada de trabalho de 10 horas, na primeira greve norte americana conduzida unicamente por mulheres. Violentamente reprimida pela polícia, as operárias refugiaram-se na fábrica, onde a polícia fechou as portas e ateou fogo no dia 8 de março de 1857.

Durante a Primeira Conferência Mundial de Mulheres, realizada em 1910 na Dinamarca, a famosa ativista pelos direitos femininos, Clara Zetrin, propôs que o 8 de março fosse declarado como o dia internacional da mulher e em 1911 mais de um milhão de mulheres se manifestaram na Europa. A partir desse fato, a data começou a ser comemorado no mundo inteiro.

A luta das mulheres e a construção do 8 de março

No século 20, as mulheres trabalhadoras continuaram a se manifestar em várias partes do mundo. Em 8 de março de 1917, trabalhadoras russas do setor de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos. Esse fato teria sido o primeiro momento da Revolução Socialista Russa (Século 20)

Lutas no Brasil

Nas primeiras décadas do século 20, o grande tema político foi a reivindicação do direito ao voto feminino. Uma grande líder sindical, Berta Lutz, aglutinou um grupo de mulheres da burguesia para divulgar a demanda. Elas sobrevoaram o Rio de Janeiro espalhando panfletos reivindicando o direito das mulheres votarem, pressionando o presidente Getúlio Vargas. Mais tarde, o voto feminino passa a ser garantido na Constituição de 1934, mas só foi colocado em prática com a queda da ditadura getulista, quando as brasileiras em 1945 foram às urnas pela primeira vez.

Zuleika Alembert, a primeira mulher a fazer parte da direção do partido comunista e eleita deputada estadual por são paulo em 1945, foi expulsa do partido quando fez críticas feministas, denunciando a sujeição da mulher em seu próprio partido.

O feminismo dos anos 60/70 veio abalar a hierarquia de gênero na esquerda. A luta das mulheres contra a ditadura de 1964 uniu, provisoriamente, as feministas e as que autodenominavam militantes do movimento de mulheres. Ao uni-las contra os militares, havia uma data: o 8 de março. A comemoração ocorria através da luta pelo retorno da democracia, de denúncias sobre prisões arbitrárias e desparecimento políticos.
Já em 1975, a ONU instituiu o 8 de março como o dia internacional da mulher.

Atualmente, apesar de vários direitos adquiridos, as mulheres continuam a lutar para que esses sejam respeitados. E o Sindipúblicos apoia toda manifestação que tenha como foco a luta pelos direitos igualitários.

Contribuição de Laureni França.

 Bibliografia: Construindo Novas Relações de Gênero