Desembargador Feu Rosa presta contas à sociedade

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A exemplo do que vem acontecendo nos últimos dois anos, a sociedade civil organizada “tomou” o Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) na tarde desta sexta-feira (6) para a audiência pública de prestação de contas do desembargador Pedro Valls Feu Rosa sobre as realizações na área de Direitos Humanos durante os dois anos de sua gestão na Presidência do Poder Judiciário estadual.

Pedro Valls pontuou várias ações, mas, sobretudo, falou de uma forma que, conforme suas palavras, somente poderia utilizar agora, no final de mandato, fazendo uma “mea culpa” de não ter conseguido realizar mais, porém, enfatizou que foi apenas o primeiro passo na direção de maior diálogo entre a Justiça e a sociedade.

Abrimos as portas do Tribunal para os mais humildes, mas o que foi feito teve a participação dos outros colegas, que se comprometeram com esse projeto. Se alguém do povo, amanhã, me vir na rua e disser lá vai o Pedro, que não fez tudo, mas que nem por isso deixou de fazer a parte dele, a minha passagem na terra terá valido a pena”.

O desembargador Pedro Valls recebeu diversas homenagens dos representantes da sociedade civil organizada, e pronunciamentos elogiosos do presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Gilmar Ferreira de Oliveira, dentre outros cidadãos, que representavam instituições ou segmentos sociais como padeiros, assistentes sociais, pescadores e juventude negra.

As entidades que participam do Fórum Justiça e Sociedade, instrumento criado pelo desembargador para ampliar o diálogo junto aos movimentos sociais, entre essas o Sindipúblicos, entregaram uma placa em homenagem ao trabalho desenvolvido pelo Tribunal.

Em sua fala, o presidente do Sindipúblicos, Gerson de Jesus, reforçou a importância do Tribunal estar aberto à sociedade e fez uma analogia do trabalho desenvolvido com os movimentos sociais ao realizado na África do Sul. “Não tem como não associarmos o trabalho que o desembargador Feu Rosa desenvolveu nesses últimos anos à batalha que Nelson Mandela, falecido ontem, travou na África. Esperamos que esta casa continue aberta aos movimentos sociais para juntos oferecermos efetivamente um serviço público de qualidade.”

Entre os pronunciamentos, o de uma servidora do Iases chamou a atenção pelas gravidades da denúncia. “Estamos preocupados, o trabalho do desembargador contribuiu muito para o sistema, mas a situação continua grave. Várias demandas do TJ-ES junto ao Estado para ajuste de conduta, não foram realizados. O Estado continua violando diversos direitos. Não conseguimos devolver à sociedade um socioeducando recuperado. É preciso que o Estado seja responsabilizado, e eu clamo ao senhor, que faça alguma coisa nesses últimos dias para salvar não o sistema Iases, mas a sociedade”

Ao final, Feu Rosa agradeceu todos os movimentos sociais que estiveram juntos nos últimos anos e, juntos, inauguraram o Espaço Transparência do TJ, onde ficará instalado os painéis do Corruptômetro e Torturômetro.

O Corruptômetro, inaugurado hoje, será um indicador em tempo real com a estimativa dos recursos públicos desviados no Brasil no ano, conforme parâmetros da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo). No momento da inauguração do Espaço, o Corruptômetro, que fica posicionado bem ao lado do Torturômetro, registrava a astronômica cifra de R$ 76.377.227.894,48. Como contraste a essa informação, o visitante é tomado por painéis gigantes de fotos em preto e branco retratando situações de miséria no Espírito Santo, captadas pelas lentes e a sensibilidade do repórter-fotográfico César Inácio Nunes.

O desembargador Sérgio Bizzotto Pessoa de Mendonça será o desembargador que sucederá Feu Rosa na presidência do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Com informações da Assessoria de Comunicação do TJ/ES