
Antes mesmo de sofrer com o crime ambiental proveniente do rompimento das barragens da Samarco/Vale/BHP, o Rio Doce já estava quase em seu leito de morte devido a grave seca que atinge os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
No entanto, mesmo com a situação alarmante, os deputados estaduais dos dois estados que compõem a Comissão Interparlamentar (Cipe) do Rio Doce não “tiveram tempo” para se reunir sequer uma vez em 2015.
Nesta quarta-feira, 18 de novembro, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, novos deputados dos dois estados tomarão posse na Comissão Interparlamentar (Cipe), que passará a ser comandada por Guerino Zanon (PMDB), um dos financiados pela Vale/Samarco/BHP.
Após a solenidade, haverá uma audiência pública para tratar de impactos do crime ambiental provocado pelo rompimento das barragens da Samarco, em Mariana.
A atual coordenadora estadual da Cipe, Luzia Toledo (PMDB), também financiada pela Vale/Samarco/BHP, justifica que apesar de não conseguirem ter se reunido, ela teria conseguido que R$ 1,4 bilhão do Orçamento da União fosse reservado para preservação do rio. “Mas os prefeitos não fizeram dever de casa. Não fizeram projetos e muito pouco dos recursos foram usados” revela a deputada.
Já o atual presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), que também participava da Comissão, declarou que considera que a Samarco é vítima do desastre ocorrido em Mariana.“É bom não encarar a Samarco apenas como a que destruiu o rio. Ela foi vítima também. Ela não ia provocar esse prejuízo por vontade própria. Houve omissão na fiscalização, etc. Hoje a preocupação é resolver o problema e fazer a Samarco levantar a cabeça”, afirmou.
O Sindipúblicos lamenta ter sido preciso um crime ambiental de dimensões ainda incalculáveis que ocasionou a morte de milhares de seres vivos para só assim os deputados de Minas e Espírito Santo começarem a efetivamente se articular. Espera-se que os mesmos não utilizem a Comissão apenas para promoção pessoal, nem mesmo utilizem seus cargos para amenizar a culpa da Vale/Samarco/BHP, mas que realizem o devido trabalho de fiscalização dos executivos e demais órgãos que deveriam ter cumprido o papel de fiscalização e monitoramento que pudesse evitar tal crime.