Crise Hídrica | Governo Hartung executou menos de 10% dos R$41 milhões liberados para seca

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O anunciado racionamento de água na Grande Vitória, que já tem sido vivenciado no interior do Estado é o reflexo da falta de planejamento e gestão orçamentária dos valores previstos nas pastas responsáveis por gerir os recursos hídricos e de meio ambiente.

Apesar do Espírito Santo vivenciar uma seca há mais de ano, o Fundo Estadual de Recursos hídricos tem um orçamento de R$41 milhões para 2016, porém, até o momento só utilizou R$ 3 milhões, ou seja menos de 10%. A situação se repete também na Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, que tem previsão orçamentária de quase R$ 9 milhões e só foi empenhado R$ 2,4 milhões.

Outra situação que demonstra a ingerência do governo quanto a gravidade da falta de água no Espírito Santo se refere à Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH). Embora tenha sido criada há dois anos, justamente para gerir a área e evitar que a crise hídrica se agravasse, ela continua funcionando de maneira improvisada. Na agência faltam técnicos e pessoal administrativo e a demora para a transferência de mais servidores intriga aqueles que já atuam na autarquia. Segundo consta no Portal da Transparência, são apenas 59 funcionários para atender todas as demandas. Para piorar, até o momento, também sequer foi feito concurso público, os poucos profissionais são remanejados do Iema.

Ou seja, os fatos só demonstram que, na prática, o governo estadual ignora a gravidade da situação. Enquanto isso, rios continuam totalmente assoreados, sem nenhum tipo de programa de reflorestamento e órgãos do estado, como o Idaf,que em plena crise autorizou o plantio de mais 1,9 mil hectares de eucaliptos no norte do Estado, cultura conhecidamente “sugadora” de água, o que agrava ainda mais a falta de recursos hídricos no Espírito Santo.

Mais uma vez, o cidadão será penalizado devido aos privilégios que o grupo de Hartung concede às grandes empresas financiadoras de campanhas. Para eles, não importa o povo ficar sem água, o que importa são as grandes indústrias continuar faturando para garantir depois o financiamento de campanhas, garantindo a perpetuação de um mesmo grupo político no poder.

Para corrigir todo esse desequilíbrio, é preciso ainda que os legisladores façam leis para racionar corretamente a utilização da água, em que todos sejam igualitariamente responsáveis pelo consumo consciente e não apenas o cidadão.

Espera-se ainda que os órgãos de controle e fiscalização do Estado realize uma auditoria nas contas públicas questionando a não utilização dos recursos que deveriam ter sido investidos para evitar o racionamento.

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