

O recente pagamento dos juros pagos pelos servidores que contraíram o Crédito Rotativo (clique aqui) nos lembra a histórica luta do Sindipúblicos em defesa da categoria.
Como anunciado pelas redes de comunicação do Sindipúblicos, iniciamos uma série de matérias que pretendem reviver a história de nosso Sindipúblicos e trazemos esse tema do Crédito Rotativo que por mais de 20 anos trouxe angústias e problemas para os servidores públicos estaduais, mas, que, com a atuação do Sindicato, a reparação está sendo feita.
Em fevereiro de 2000, a Folha do Sindipúblicos trazia em sua capa: “Crédito Rotativo – Uma armadilha que não aceitamos”.
Um dos trechos da reportagem dizia: “Se a lei é clara ao atribuir ao governo a responsabilidade pelos encargos do crédito rotativo, por que o Banestes quer cobrar 50% dos juros do servidor? E, por que o governo não cumpre a sua parte, pagando os salários atrasados do último trimestre de 98, permitindo que o servidor possa quitar as suas dívidas?” e complementa “Como pagar juros de algo que você é credor, e não devedor?”
Questionamento esse que só foi respondido 23 anos depois com a decisão judicial que referendou a posição do Sindipúblicos, de que os juros devem ser pagos pelo Banestes e não pelos servidores.
Marcelo Duarte, servidor aposentado do Idaf, na época era diretor financeiro do Sindipúblicos e lembra da luta pelo Crédito Rotativo.
“Esse fato aconteceu no governo de José Inácio, como o Estado estava atravessando várias dificuldades devido a administrações desastrosas, morais e éticas, o governo para resolver seu problema de quatro meses de salários atrasados, impôs esse desastroso mecanismo do qual nos insurgimos politicamente e na justiça. O resultado veio agora impondo uma derrota ao Estado mesmo que de forma altamente morosa, mais com os servidores recebendo o que lhes foi tirado pelos tiranos do momento.”
A reportagem foi ilustrada pela charge ao lado, de autoria do cartunista Júlio Pater, que continua atual. Na época, era o Crédito Rotativo, hoje podemos atualizar por outras demandas que o Palácio Anchieta nos deve.
Na mesma edição, a Folha do Sindipúblicos trouxe um editorial (abaixo na íntegra) sobre o Crédito Rotativo comparando a diferença de tratamento que do governo estadual para com os servidores e os empresários.
Editorial
Rotativo: a diferença de tratamento
Nada mais mostra a diferença de tratamento de José Ignácio em relação a trabalhadores e empresários do que a questão do crédito rotativo.
Se, de um lado, José lgnácio, através do BANESTES manda cobrar juros mensais sobre empréstimos tomados pelos servidores por falta de pagamento salarial, de outro, através do FUNDAP, ele concede aos empresários empréstimos a 1% ao ano, com 5 anos de carência. E, como se bastasse, leiloa depois essa dívida obtendo apenas 10% de seu valor. Ambos, servidores e empresários, tomam o mesmo dinheiro, que é público. A diferença é que um toma para se alimentar e o outro para se enriquecer. E enquanto um é descontado diretamente na fonte, ao outro é concedido uma generosa prorrogação de prazo para recolher impostos que o povo pagou. Parece até que o rico é o pobre e o pobre é o rico.
Por que essa diferença de tratamento? Muito simples: os empresários bancam a grife José lgnácio com muito dinheiro, e os servidores entram apenas com os votos. E o descaso do Secretário da Fazenda, “Zé Carlim”, com o cargo de deputado federal para o qual foi eleito, ilustra bem a importância que os tucanos dão ao dinheiro em relação a votos.
Se os empresários do FUNDAP recebem dinheiro subsidiado do Estado, por que nós temos que pagar os juros do rotativo? E o que falar da discriminação entre os próprios servidores, onde esses mesmos juros são dispensados para os servidores do Ministério Público, do Poder Judiciário e do Legislativo?
Não podemos aceitar esse jogo. Aceitá-lo é aceitar a discriminação social e ajudar José lgnácio a submeter os interesses do Estado a um grupo de empresários que está mamando há tempos na teta do Espírito Santo.
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Fortaleça sua Entidade Sindical. Filie-se ao Sindipúblicos!
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