

O Sindipúblicos convoca a categoria dos servidores e servidoras estaduais para o ato unificado que acontece no Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, no próximo 1º de maio (domingo), às 9h, na Costa Pereira, Centro de Vitória, em parceria com as centrais sindicais: Central Única dos Trabalhadores (Cut), Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Intersindical e Pública.
Com intervenções artísticas, participação de movimentos sociais e trabalhadores de várias categorias, o tema deste Dia Internacional do Trabalho dialoga diretamente com os problemas da população brasileira, como as altas taxas de desemprego, inflação, ataques aos direitos sociais e trabalhistas, à democracia e à vida. O movimento propõe a reflexão e a luta em torno de reivindicações consideradas fundamentais e urgentes para a classe trabalhadora, como emprego digno, o desenvolvimento sustentável, a justiça social, entre outras pautas destacadas pelas entidades sindicais a partir do lema “Emprego, Direitos, Democracia e Vida”.

Após dois anos de eventos online, em virtude do isolamento social para conter o avanço da pandemia da covid-19, a programação conta com e participação de bandas de congo, do Bloco Afrokizomba e do Coral Serenata, além de pula-pula para crianças e distribuição gratuita de pipoca e picolé.
O vice-presidente do Sindipúblicos Rodolfo Simões considera esta data importante para reunificar as lutas das trabalhadoras e dos trabalhadores. Ele aponta que os ataques à classe trabalhadora se tornaram mais intensos após o golpe contra a então presidenta Dilma Rousseff, em 2016.
“Foi a partir do governo Temer que se começou a construir reformas administrativas, reformas trabalhistas, a destruição da CLT, a precarização do trabalho, as terceirizações, a pejotização do trabalhador. Toda essa conjuntura nos trouxe um cenário em que as lutas tendem a se acirrar mais, então o trabalhador precisa estar mobilizado em atos de rua, precisamos voltar a ocupar as ruas. E esse ato de 1º de maio é justamente por emprego, direitos, democracia e vida, coisas tão elementares que não precisávamos estar defendendo mas o atual governo nos levou a lutar por coisas básicas que foram tiradas da classe trabalhadora”, destaca.
Rodolfo também apontou a mudança metodológica na contagem da população empregada no Brasil, a partir do governo Temer e consolidada no governo Bolsonaro.
“O IBGE passou a considerar qualquer fonte de renda e não apenas em regime celetista. Para nós, o emprego só é contabilizado a partir de uma CLT, porque a partir de um emprego estável com carteira assinada, o trabalhador vai ter segurança de seus direitos a descanso remunerado, 13º, participação em resultados, isso tudo foi tirado após as reformas trabalhistas. Por conta dessa mudança na contagem dos empregados a taxa do desemprego não passa dos 14%, mas se forem considerados apenas os empregos formais, estaríamos falando de metade da população economicamente ativa desempregada. Então o cenário que vemos hoje no Brasil é de uma taxa de desemprego nunca vista antes nesse país, nem mesmo em momentos de crise, na década de 1990, isso não chegou a um patamar tão elevado” .
Para o Diretor de Comunicação do Sindipúblicos e membro do núcleo capixaba da Auditoria Cidadã da Dívida Pública José Roberto Gomes, as reivindicações de emprego, defesa da democracia, direitos e dignidade se tornaram mais urgentes durante os governos Bolsonaro e Temer, pela aplicação das reformas e contrarreformas que aprofundaram um projeto de mais de trinta anos de políticas neoliberais responsáveis pela intensificação da retirada de direitos e da precarização das condições de vida da população nesse período. Nesse contexto, a unificação das lutas se torna cada vez mais necessária.
“A partir da década de 1990, o projeto neoliberal implantado no Brasil com o governo Collor vem retirando direitos e piorando a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras em todos os governos até hoje, independente da matriz ideológica que estava no poder, mas nos últimos seis anos, com as contrarreformas, as retiradas de direitos, reforma da previdência e outras, isso tem se intensificado cada vez mais”, avalia.
O tema elaborado de forma unitária pelas centrais sindicais na Conferência da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada em São Paulo, no dia 7 de abril, e organizado no documento “Pauta da Classe Trabalhadora”, que orienta o plano de lutas do movimento em defesa das mudanças urgentes e necessárias para retomar o crescimento do país com igualdade e justiça social para as trabalhadoras e trabalhadores, será apresentado à população durante o evento. O texto pode ser conferido na íntegra.
Ao todo, são 63 propostas elaboradas em conjunto por representantes da pela CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Publica, Intersindical, divididas em quatro eixos: Prioridades; Desenvolvimento Sustentável com Geração de Emprego e Renda; Trabalho Emprego e Renda e Estado e Políticas Públicas. Entre os 63 itens, destacam-se a instituição de uma política de valorização do salário mínimo, um programa de renda básica, políticas de geração de trabalho e renda, proteção dos desempregados, revisão da política de preços para produtos essenciais, reestruturação sindical, entre outros.
Histórico do 1º de maio e a luta pela redução das jornadas de trabalho
O 1º de maio marcou a história como uma data símbolo da luta dos trabalhadores. Desde o começo da industrialização até meados do século XIX, não havia nenhuma regulamentação sobre o trabalho realizado nos imensos parques industriais. A classe operária demorou algumas décadas para se organizar por meio de associações e sindicatos para se defender.
As condições de vida naquele tempo eram de grande miséria para os operários, que acumulavam jornadas de 12, 15 e até 18 horas por dia, sem direito a descanso semanal nem férias. Quando chegavam em casa, viam a si e a sua família passando toda a sorte de dificuldades, inclusive fome. Aos poucos, eles começaram a se mobilizar contra os desmandos patronais. A redução da jornada de trabalho foi a primeira reivindicação da classe. Outra exigência era não morrer de fome.
Em 28/09/1864, realizou-se em Londres o primeiro congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores, conhecida pela sigla AIT, em que ficou decidida a luta principal a ser travada em todas as nações onde havia fábricas e oficinas, exigindo a diminuição e fixação da jornada. A organização reunia operários de diversos países industrializados da Europa e mais tarde de outras partes do mundo, que organizaram revoltas e realizaram diversas greves, alvo de muita repressão por parte da polícia a serviço dos patrões.
Nos EUA, em 1866, já havia mais de 6 milhões de trabalhadores fabris. Durante o congresso operário realizado neste ano na cidade de Baltimore, os participantes reiteraram a decisão da Internacional: luta em todas as fábricas até a conquista das 8 horas. O primeiro 1º de Maio acontece nesse mesmo ano de 1886, nos Estados Unidos, a partir de uma greve geral convocada pela Federação Americana do Trabalho pela jornada de 8 horas.
Na cidade de Chicago, um dos principais centros de protesto, os trabalhadores montaram piquetes nas fábricas que ainda não haviam aderido à greve, durante a madrugada do dia 1º para o dia 2. Neste dia, a polícia e os seguranças assassinaram sete operários em frente à marcenaria Mc Cormick Harvester e uma nova manifestação foi convocada para 4 de maio, com um grande comício que anunciava a continuação da greve até que fossem garantidas as 8 horas para todos.
No final do comício, a cavalaria tenta se aproximar do palanque. De repente, uma bomba explode, misteriosamente, no pelotão dos policiais, que começam a atirar sobre os manifestantes, deixando dezenas de mortos e centenas de feridos. O palanque é cercado e todos os oradores são presos.
Os líderes sindicais, seguidores do anarquismo, August Spies, Albert Parsons, Sam Fielden, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Schwab, Louis Lingg e Georg Engel, são julgados culpados em 9 de outubro de 1886. Parsons, Engel, Fischer e Spies são enforcados no dia 11 de novembro. Lingg se suicidou, na véspera, deixando um bilhete onde reafirmava suas convicções e informava que preferia se matar a permitir um carrasco a serviço da burguesia encostar as mãos imundas em seu corpo. Fielden e Schwab são condenados à prisão perpétua e Neeb a 15 anos de prisão. Entretanto, o governo do Estado do Illinois anula o processo inteiro dos mártires de Chicago e declara todos inocentes em 1892.

Em homenagem a bravura dos trabalhadores americanos que organizaram uma gigantesca campanha por melhores condições de trabalho e realizaram mais de 1500 greves em todo o país, a Internacional Socialista decreta que o 1º de Maio seja comemorado todo ano como Dia Internacional dos Trabalhadores, na ocasião do 2º Congresso ocorrido em Paris no anos de 1889.
Todas as conquistas da classe trabalhadora até os dias atuais são frutos de 200 anos de luta de classe, evidenciada no movimento operário simbolizado pela data do primeiro de maio. Através da luta, foram conquistadas a jornada de 8 horas, as férias, o descanso aos domingos, a previdência social, a indenização por acidente, a aposentadoria, entre outros direitos que custaram a vida de muitos trabalhadores e trabalhadoras e estão sob ameaça neste começo de século XXI.
Por isso, a celebração do Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora está ainda mais carregada de simbolismo e de responsabilidade neste ano. Participe do ato unificado neste 1º de maio em defesa dos direitos e pelo futuro da classe trabalhadora brasileira.
Fonte: Núcleo Piratininga de Comunicação. “1 de Maio: Dia dos Trabalhadores”.