
Diante as várias denúncias de servidoras da Sesa lotadas no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) que buscaram o Sindipúblicos para denunciarem as práticas recorrentes de assédio moral e racismo, inclusive que ensejou a abertura de procedimento no Ministério Público (MP-ES), além de adotar as medidas judiciais e extrajudiciais, o Sindicato encaminhou requerimento ao secretário de Saúde, Nésio Fernandes de Medeiros Junior, para que adote as medidas cabíveis garantindo que a prática não mais seja realizada, bem como preservando os direitos das servidoras.
Segundo os relatos, inclusive registrados no MP-ES, as servidoras sofriam cotidianamente de assédio moral e injúria racial por parte da senhora Sony de Freitas Itho, chefe das referidas. Além disso, o caso se torna ainda mais grave visto que apesar da Ouvidoria ter sido acionada, o tratamento teria sido inadequado, sem nenhuma resolutividade.
Dentre as servidoras, uma delas precisou até mesmo ser afastada para tratamento de saúde em consequência ao cotidiano de assédio e ofensas baseadas em suas características físicas e caracteres étnicos. Essa, relatou ao MP-ES que
“(…) Foram longos os dias em que ela passava pelo corredor onde eu me encontrava fazendo serviço de recepção, soltando frases e me mostrando a pasta que estava minha transferência. Um dia ela me chamou na sala dela, sozinha dizendo que não gostava de mim, do meu jeito de ser, de me vestir, que minha presença a incomodava. Quando respondi que estava ali pra trabalhar e não fazer amigos, que ela só precisava me respeitar e não gostar de mim, ela me mandou calar a boca pois não aceitava nem os próprios filhos responderem. (…) Uma outra oportunidade se referiu ao meu cabelo crespo como cabelo duro, que ela jamais gastaria com produtos caros em um cabelo como o meu, e que eu tinha o “pezinho na África”. (…) Outra vez eu estava de turbante quando ela me perguntou se eu iria vender cocadas na Bahia. E foram vários comentários como esses, como, faz serviços de Branco. Recebi várias vezes ameaças de que eu deveria vigiar os colegas e contar tudo que acontecia no setor caso contrário eu não ficaria lá. Até que em agosto/2018 eu tive uma crise de parestesia facial, síndrome do pânico e logo após uma depressão e fobia que me afastou do trabalho desde então”.
Os casos já foram apresentados pessoalmente no dia 14 de janeiro, ao secretário Nésio Jr que afirmou se inteirar da situação e apresentaria as providências a serem adotadas. No entanto, até o momento não houve nenhuma resolução. As servidoras ainda relatam que foram transferidas, a pedido da sra. Sony de Freitas, para o Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen), sem que lhes fossem apontado qualquer motivo ou justificativa.
Sendo assim, o Sindipúblicos reforça a necessidade da Sesa solucionar o grave caso, de modo que não seja possível se afirmar que exista compactuação com práticas de assédio moral e ofensas raciais.
NOTA DA SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
O secretário de estado da Saúde, Nésio Fernandes, autorizou a abertura de processo para apurar os fatos relatados pelo Sindipúblicos e já encaminhou para a Corregedoria da Sesa. Fernandes solicitou ainda que, dado a importância do relato, a comissão dará prioridade ao tema para efetuar a conclusão no menor prazo possível.