

Os servidores públicos do Espírito Santo rejeitaram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (15), a contraproposta do governo estadual de reajuste de 4% para a reestruturação das carreiras. A decisão, tomada de forma quase unânime em encontro híbrido promovido pelo Sindipúblicos, reflete a insatisfação da categoria diante do que consideram um índice insuficiente e incapaz de enfrentar os problemas estruturais do funcionalismo.
A assembleia, marcada pela ampla participação, aprovou a retomada da mobilização com reforço na comunicação e realização de atos públicos. Os servidores também sinalizaram para o retorno da Greve Geral, com possibilidade de votação de um indicativo na próxima assembleia unificada, marcada para o dia 21 de janeiro, às 10h, na Praça Costa Pereira, em Vitória. Além de manifestações em eventos oficiais do governo estadual e de buscarem o Sindsaúde para unificarem a luta.
Em ofício encaminhado ao governador e à Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), o sindicato destaca que a proposta falha ao não contemplar a reivindicação de proporcionalidade entre os níveis de carreira — 70% do nível médio técnico em relação ao superior e 50% do nível médio em relação ao superior. Segundo o documento, a ausência dessa correção mantém carreiras em patamares defasados e desmotivadores, além de não enfrentar a elevada evasão de profissionais de nível superior. O texto também manifesta preocupação com a exclusão dos Agentes de Suporte Educacional da Secretaria de Educação e solicita a inclusão da carreira de Técnico de Suporte em Desenvolvimento Rural, extinta em 2023 e deixada de fora da reestruturação de 2024.
Críticas contundentes
O diretor do Sindipúblicos, Rodolfo de Melo, fez duras críticas à condução da política estadual. Para ele, o governo Casagrande/Ferraço adota uma postura elitista, privilegiando empresários e setores ricos com isenções fiscais milionárias e subsídios, enquanto negligencia os servidores. “O reajuste linear de 4% ou 8% não resolve nada. Não freia a evasão, que já chega a 50%, e não valoriza quem está na linha de frente. A maioria dos novos servidores do Executivo já espera ser chamada em concursos de outros estados. Estamos diante de um apagão no serviço público, que abre espaço para a terceirização e para o avanço de interesses privados. O governo age como verdadeiro lacaio da burguesia, enfraquecendo o serviço público e excluindo os trabalhadores do processo de governança”, afirmou.
Já Tadeu Guerzet, também diretor do sindicato e Agente de Suporte Educacional, destacou a injustiça da exclusão da categoria. “A maior parte da folha da Secretaria da Educação é coberta pelo Fundeb, recurso federal. Nós praticamente não representamos custo para o Estado, e mesmo assim querem nos excluir. Somos os que estão sempre à frente das demandas, não paramos nem na pandemia, e agora recebemos como resposta a rejeição. Isso é inaceitável”, disse. Guerzet lembrou que os agentes recebem um subsídio equivalente a apenas 30% do nível superior, o que, segundo ele, reforça a desvalorização da carreira.
Mobilização segue
Apesar da rejeição quase unânime, o Sindipúblicos reiterou no ofício que a categoria permanece aberta ao diálogo e espera que o governo apresente uma nova proposta até o dia 20 de janeiro, véspera da próxima assembleia. “A negociação é o caminho para o equilíbrio, mas precisamos de uma proposta que seja condizente com nossas reivindicações e com a saúde financeira do Estado”, afirmou a presidenta do sindicato, Renata Setubal, que assina o documento.
Com a mobilização intensificada e a possibilidade de retorno da greve geral no horizonte, os servidores deixam claro que não aceitarão medidas que aprofundam a desvalorização das carreiras e fragilizam o serviço público capixaba.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Nayana Yara