
No terceiro dia de Assembleias Setoriais, o funcionalismo estadual fez um “enterro” dos serviços públicos durante o ato de encerramento do dia de manifestações, nesta quinta-feira, 17 de setembro. Um caixão foi levado para a porta do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-ES), na Enseada do Suá, em Vitória, em alusão à “morte” dos serviços públicos capixabas, que foram abandonados pelo governador Hartung.
Pela manhã, os servidores se concentraram nos seus respectivos locais de trabalho, onde pregaram cartazes e fizeram apitaço, numa forma de alertar à população capixaba sobre os motivos do Apagão de Todos os Serviços Públicos Estaduais. Os servidores lutam contra o sucateamento dos serviços públicos e buscam a negociação com o governo para a pauta unificada de reivindicações: a recomposição das perdas salariais dos últimos doze meses, o estabelecimento de uma data base, o pagamento imediato do auxílio alimentação e a criação de uma mesa permanente de negociação com o governo.
“Marmitas”
A partir das 14 horas, os servidores públicos se reuniram para o grande ato de encerramento do dia, desta vez, realizado em frente ao TJ-ES. A escadaria do Tribunal deu lugar a marmitas de chuchus, uma forma de demostrar o que o governador Hartung tem ofertado ao povo e os servidores do Espírito Santo.
Os servidores do Judiciário lutam contra o enfraquecimento da Justiça e a imoralidade dos juízes, que acumulam benesses enquanto os servidores lutam pela recomposição das perdas salariais. Após o ato, que lotou a entrada do TJ, a categoria seguiu para os acessos da Terceira Ponte, em Vitória, onde a população recebeu sacolas com chuchus.

A manifestação do terceiro dia do Apagão contou com a participação de servidores de diversos, autarquias e secretarias estaduais. “O que vemos no governo de Hartung é ingerência, acordos políticos e benesses para o empresariado. Nossa manifestação é também para chamar atenção da população para o caos que é esse governo. Somente assim vamos conseguir pressionar Hartung a abrir as negociações”, declarou um servidor do Ipem.
Uma das principais reivindicações da categoria é reposição das perdas dos últimos 12 meses. “Se não lutarmos por nossos direitos, nossas perdas serão ainda maiores. Queremos apenas que Hartung conceda o que é nosso por direito”, disse uma servidora da Saúde durante a manifestação.
O Apagão, que integra a campanha “Hartung, esse abraço eu não quero” é organizado pelo Fórum das Entidades dos Servidores Públicos do Espírito Santo (Fespes) e acontece nestes dias 15, 16, 17 e 18 de setembro. No encerramento dos movimentos, nesta sexta-feira (18), após reunião em Assembleias Setoriais, os servidores voltam para as ruas. O último ato do Apagão acontece a partir das 14 horas na Avenida Nossa Senhora da Penha (Reta da Penha), na altura do cruzamento com a Avenida Maruípe.
Apagão
O termo “Apagão”, da campanha publicitária do Fespes, faz alusão ao termo utilizado pelo próprio governador – inclusive em entrevista à imprensa. Ao falar da suposta crise financeira pela qual a atual gestão garante que passam os cofres estaduais, Hartung afirmou que os serviços públicos poderiam passar por um “apagão” caso os cortes nas verbas não fossem feitos.
Do mesmo modo, a campanha “Hartung, esse abraço eu não quero” refere-se ao abraço pedido pelo governador ao povo capixaba durante a campanha eleitoral. Afinal, após eleito, o governador tem dado um “abraço” muito mais espinhoso na população, com cortes nas verbas de áreas essenciais, como saúde, educação e segurança.