Servidores estaduais de Linhares e região defendem paralisação geral

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Servidores públicos estaduais de Linhares e da região Norte participaram nesta quarta-feira, 20 de maio, da Assembleia Unificada da categoria. A Assembleia Geral foi realizada na Superintendência Regional de Educação em Linhares e teve como proposta discutir medidas a serem adotadas diante da intransigência do atual governo, que se nega a dialogar com a categoria. Após, o debate, os servidores de Linhares e da Região Norte defenderam a realização de paralisações.

Os diretores dos sindicatos, ligados ao Fórum Intersindical dos Serviços Públicos, destacaram as ações realizadas frente à negativa do governo estadual em atender a pauta de negociação. Dentre elas, está a ação jurídica sobre a concessão do auxílio-alimentação, que aguarda julgamento da Justiça capixaba.

Quanto à recomposição dos salários dos servidores, os sindicatos destacaram que a crise alarmada pelo governo estadual não passa de uma contabilidade criativa do Estado. Ao manipular os números, o governo esconde dos servidores e da sociedade que o Espírito Santo é um dos dez estados que menos investe nos serviços públicos. Somente no primeiro quadrimestre de 2015 já ultrapassou 4 bilhões de arrecadação, tendo um superávit de R$455 milhões.

Os trabalhadores presentes confirmaram aos sindicatos que, como na Grande Vitória, no interior os gestores estão atuando com o marketing de terra arrasada, aumentando ainda mais a precariedade dos locais de trabalho. A justificativa dos gestores é de que o governo não teria dinheiro e, por isso, não tem repassado as verbas necessárias para manutenção das unidades regionais de autarquias como o Incaper, e dos serviços de saúde, como o Hospital Geral de Linhares.

“Está cada dia pior e o governo já anunciou a terceirização do Incaper. O poder de polícia de fiscalização será loteado à iniciativa privada. O que era função da autarquia, agora será transferida à empresas, uma vez que estão sendo realizadas chamadas públicas para o setor empresarial. Preferem lotear o estado colocando empresas para realizar serviços públicos a realizar concurso. É assim que o governo paga ao empresariado financiador de suas campanhas. Quem ganha é o empresariado. E a sociedade ainda terá que pagar duas vezes, os profissionais terceirizados e o empresariado que passa a ver a realização de atividades antes feitas por servidores, como uma forma de aumentar sua lucratividade  precarizando ainda mais os serviços”, enfatizou uma servidora do Incaper.

Os sindicatos também reforçaram a importância de cada servidor conseguir no mínimo dez assinaturas para o abaixo-assinado que encaminha um projeto de lei de iniciativa popular para fixação da data-base. Ao final da assembleia, ficou definido que as propostas sugeridas pelos servidores, como paralisações gerais, serão colocadas em pauta para votação em uma grande assembleia geral a ser realizada na Grande Vitória.

Passeata

passeataApós a assembleia, os servidores saíram em passeata pelas ruas de Linhares, onde panfletaram junto à população sobre as principais demandas da categoria que tem afetado a prestação de um serviço público de qualidade.

“Tomara que vocês consigam ser atendidos. Não sabia que o estado mentia tanto. É sempre bom ter esse conhecimento. Vou repassar aos meus amigos da escola para acompanharem  o face de vocês para vermos os dados reais”, comentou Márcio Luciano, estudante do ensino médio. A maioria da população abordada apoiou a manifestação e ficou surpresa com os dados apresentados.