

A greve geral dos servidores públicos estaduais do Espírito Santo já mobiliza trabalhadores de autarquias e secretarias em 54 municípios. A paralisação, que começou na terça-feira (7) com um ato em frente à Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger), contou nessa quarta-feira (8) com debates políticos e discussões sobre políticas públicas, equilíbrio fiscal e valorização profissional.
Segundo levantamento de presença, cerca de mil servidores participaram das atividades, com um crescimento superior a 50% entre o primeiro e o segundo dia de mobilização — reflexo direto da insatisfação da categoria diante da ausência de resposta por parte do governo estadual.
Durante o segundo dia de greve, o diretor do Sindipúblicos, Tadeu Guerzet apresentou dados atualizados sobre as finanças do Estado, destacando a capacidade de investimento em pessoal. “Não adianta termos nota A e dinheiro em caixa se não há investimento nos servidores. Somos nós que executamos as políticas públicas e movimentamos a economia. O que vemos é um governo que prefere acumular recursos e direcioná-los a um grupo restrito de empresários, muitos de fora do Estado, em vez de investir no povo capixaba”, afirmou.
Os debates também reforçaram que o impacto da reestruturação reivindicada pelos servidores seria mínimo — cerca de 1% na folha de pagamento. “A única razão para o governo não atender nosso pleito é política. Dinheiro há, o impacto é pequeno, e a valorização retorna para o próprio Estado. Outras categorias já foram contempladas, e nós seguimos esquecidos”, declarou um dos participantes.
Apesar da adesão expressiva, o governo tem tentado descredibilizar o movimento, divulgando informações à imprensa que contradizem os dados dos próprios servidores. Um exemplo citado foi o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que teria informado que apenas um servidor aderiu à greve, quando, na realidade, dezenas participam ativamente.
Mesmo os servidores que ainda não aderiram à paralisação têm demonstrado apoio aos colegas grevistas. “Não queremos greve, mas quem a alimenta é o próprio governo, que até agora não apresentou nenhuma proposta. O silêncio do governo é um sinal claro de desrespeito”, criticou Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos.
No terceiro dia de greve, sob chuva e céu nublado, os servidores mantiveram a mobilização com um ato público em frente à sede do Incaper, em Vitória. Até o momento, o governo segue sem apresentar respostas ou sinalizações concretas.
A mobilização continua, e os servidores prometem manter a pressão até que haja uma proposta efetiva de valorização.
Clique aqui e confira a agenda do Sindipúblicos atualizada com a previsão dos próximos atos e atividades da greve.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação