

A falta de valorização profissional tem levado servidores públicos do Espírito Santo a pedir exoneração de seus cargos, mesmo após anos de dedicação ao serviço público estadual. Casos como os de Ivan Ronei Herzog Mação Campos, Alessandra Maria da Silva, Andressa Ferreira Alves e Mateus Pinto Rebouças revelam um cenário preocupante: salários defasados, ausência de plano de carreira que contemple as necessidades e valorize os anos de dedicação e qualificação, além de condições precárias de trabalho e um ambiente institucional que desestimula a permanência de profissionais qualificados.
Segundo levantamento, a taxa de evasão ultrapassa 40% dependendo da carreira, como a de analista do executivo.
📍 Ivan Ronei Herzog Mação Campos
Geólogo e ex-agente de Desenvolvimento Ambiental e de Recursos Hídricos do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Ivan atuava a poucos minutos de sua casa, em Cariacica. Apesar do vínculo afetivo com o órgão e da boa relação com colegas, ele relata que a baixa remuneração e a falta de perspectiva o obrigaram a deixar o cargo. “O governo parece não querer manter pessoas capacitadas. Quem está insatisfeito, que vá embora”, afirma. Ivan destaca que o Iema possui cerca de R$ 90 milhões em caixa, mas não há estrutura que permita usar esses recursos para valorizar o desempenho dos servidores. Atualmente, Ivan tomou posse como Analista de geologia no Crea de Minas, onde encontrou melhores condições salariais e de valorização profissional.
📍 Alessandra Maria da Silva
Médica veterinária com doutorado, Alessandra era agente de Extensão em Desenvolvimento Rural no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), lotada em Linhares. Durante sua trajetória, coordenou projetos de impacto como as Cadernetas Agroecológicas e Mulheres do Cacau, e foi finalista do prêmio Inoves por três vezes. Mesmo com alta produtividade e captação de recursos para o Estado, precisou manter um segundo emprego como professora em faculdade privada para sustentar a família. “O salário inicial como professora universitária federal era igual ao meu salário final no Incaper, com 18 anos de casa”, relata. Hoje, ela é professora do curso de Medicina Veterinária na Universidade Federal do Cariri (UFCA), no Ceará, onde conquistou estabilidade financeira e qualidade de vida.
📍 Andressa Ferreira Alves
Engenheira agrônoma e ex-agente de Extensão em Desenvolvimento Rural no Incaper, Andressa enfrentava condições precárias de trabalho, como falta de limpeza e estrutura mínima para atendimento ao público. “Promessas de melhoria nunca se cumpriam. Se o salário e o plano de carreira fossem melhores, talvez eu não tivesse saído”, afirma. Atualmente, atua como especialista em indigenismo na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), onde encontrou melhores condições de trabalho e valorização profissional.
📍 Matheus Pinto Rebouças
Ingressou como analista do Executivo em 2023 e permaneceu até maio de 2025. Desde o início, sentiu-se desrespeitado pelo processo de alocação, feito sem entrevista. Foi direcionado à Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger), onde enfrentou isolamento e falta de estrutura. Tentou mudar de secretaria, mas teve o pedido negado. “A Seger deveria dar o exemplo, mas tem uma gestão de pessoas arcaica”, critica. Após breve passagem pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), onde relata um ambiente com muito assédio moral, pediu exoneração. Atualmente, Mateus atua como economista no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde reencontrou um ambiente profissional mais alinhado com sua formação e expectativas.
“Infelizmente estamos perdendo excelentes profissionais, os relatos dos companheiros evidenciam a urgência de uma reestruturação nas carreiras do serviço público estadual. A valorização salarial e a criação de planos de progressão por desempenho e titulação são fundamentais para reter talentos e garantir a continuidade de projetos e políticas públicas. A perda de servidores gera prejuízos ao Estado, que precisa investir em novos treinamentos e enfrenta rupturas na execução de ações essenciais à sociedade. A nossa pauta vai além da questão salarial, é dignidade aos profissionais e excelência nos serviços públicos” destaca Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos.
Para reverter o preocupante quadro, de falta de valorização e evasão contínua de servidores, o Sindipúblicos defende a Reestruturação das Carreiras. “Nossa luta é justa. A participação de cada um é muito importante para mostrar ao governo e à sociedade a importância da nossa atuação para o desenvolvimento das políticas públicas. Participe de nossos atos, seja atuante nas redes e vamos juntos lutar pela conquista da nossa reestruturação” comenta Tadeu Guerzet, diretor do Sindipúblicos.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação