Os usuários que já reclamavam da ineficiência do serviço seletivo, estão cada dia mais insatisfeitos. A principal reclamação é a superlotação, atrasos, ônibus sucateados e sem manutenção. Mas mesmo com a falta de qualidade, o Governo Casagrande autorizou recentemente o aumento no preço da passagem, variando de R$4,40 à R$5,00 dependendo da linha.
Durante alguns dias, nossa equipe de reportagem entrevistou usuários e flagrou vários problemas como atrasos, cadeiras quebradas, poeira e muita sujeira, como uma cortina que parecia ter saído de uma oficina mecânica, ‘peças’ quebradas e odor de mofo.
No dia 28 de janeiro, em pleno final de expediente, os trabalhadores que pegaram a linha 1806 (Rodoviária-Araçás), ficaram na mão. Ao pagar e passar a roleta, já era visível o sucateamento do seletivo. Cadeiras quebradas, ar-condicionado sujo e cheiro impregnado de mofo. E como se não bastasse, o ônibus todo trepidava. Ao chegar próximo à subida da 3ª Ponte, o seletivo não aguentou a demanda e ‘quebrou’. Com isso, mais de 30 passageiros tiveram que se espremer em outros seletivos.
No dia 18 de fevereiro, outro seletivo da linha Araçás-Rodoviária apresentou problema. Em pleno verão, o ar-condicionado não conseguia ficar ligado desarmando toda hora, passageiros inclusive sentiram mal devido ao calor dentro do ônibus. “Complicado usarmos o seletivo. Quando o ar-funciona, sentimos odor de mofo. Mas hoje tá demais, nem ar tivemos” desabafou uma usuária.
As situações acima, segundo os passageiros, não são raras. “O preço é alto para um serviço que se diz diferenciado quando na verdade nos horários de pico existem os mesmos problemas que o coletivo normal. Algumas vezes tive que enfrentar mal cheiro e ar-condicionado quebrado. É preciso aumentar os itinerários. Na Lindenberg, por exemplo, não tem opção de seletivo para Vitória. Uma vez denunciei um motorista que estava correndo demais e não parava nos pontos e minha tentativa foi em vão, já que continuou com essa prática” relata A.D.F., Técnica de Segurança do Trabalho.
“Não poder utilizar o celular é um incômodo para podermos efetivar as reclamações. Reclamei uma vez, mas não consegui mensurar se houve um devido direcionamento. Minhas maiores reclamações são o excesso de passageiros e os valores cobrados” complementa Bruno Mozer, estudante de Letras.
A frequente justificativa da Ceturb para os atrasos, também é contraposta pela jornalista Fernanda Castro. “A linha que utilizo (Marcílio de Noronha), passa cada dia num horário diferente. A desculpa é sempre o trânsito, mas se é sabido que o trânsito é frequente no trajeto em função da 3ª ponte, já deveriam considerá-lo como um fator normal e não uma ocasionalidade”.
Já Tamires Freitas, estudante de Direito, também questiona esses atrasos. “Moro em um bairro onde eles fazem ponto final. Vejo a praça de Araçás com até 3 seletivos parados, esperando não sei o que. Por que no mínimo era pra ter 1 ou 2 fazendo o intervalo. O preço é caro, já utilizei transportes no mesmo nível em outros estados e paguei mais barato.
O Sindicato solidariza com as reclamações dos usuários e destaca a importância do Governo Estadual investir efetivamente num transporte público. “Não iremos ter mobilidade se continuarem oferecendo um serviço deficitário. Precisamos que a Ceturb garanta que as empresas prestem um serviço com conforto, segurança, eficiência e qualidade, evitando que o cidadão retire seu carro da garagem. O que vemos é puro marketing, mas na prática, poucas melhorias. Precisamos de gerenciamento e fiscalização mais atuante junto às empresas” comenta Gerson Correia de Jesus, presidente do Sindipúblicos.
Procurada, a Ceturb até o fechamento desta reportagem não retornou nossa demanda, que questionava a periodicidade na fiscalização dos seletivos quanto à higienização; conservação e manutenção, além da situação do 0800 e superlotação.