Saúde – Governo corta recursos, gera caos e ainda quer apoio da justiça

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Apesar do governo ter superado R$ 2,8 bilhões em arrecadação apenas nos dois primeiros meses de 2015, chegando a um superávit de 800 milhões em fevereiro, o estado insiste no corte de verbas nas áreas mais essenciais à população, como saúde e segurança. E ainda cobra da justiça apoio à política de cortes.

No caso da saúde, a situação é tão grave que os 43 hospitais filantrópicos anunciaram esta semana a possibilidade de fechar as portas por falta de repasse dos recursos, afetando a vida de milhares de capixabas.

Os hospitais filantrópicos amargam até quatro meses sem repasses e anunciam paralisação de serviços a qualquer momento. “A pressão está aumentando, a panela vai estourar. O Governo federal já fez os repasses, mas nós ainda não recebemos. Não dá para esperar. A qualquer momento explode 70% do atendimento”, disse o presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado do Espírito Santo (Fehofes), Luiz Nivaldo da Silva.

Segundo denúncia de trabalhadores na saúde, o governo usa a precarização no setor para justificar contratos emergenciais e realizar a terceirização de unidades, opção que na prática mostrou não ser a solução para o setor.

Em contrapartida, o governo estadual não se mostra favorável a resolver a questão, apenas reforça o discurso do caos e ainda culpa a justiça capixaba ao discordar das decisões que atenderam à população obrigando o Estado a custear medicamentos, internações e procedimentos de alta complexidade, o que gerou um custo de R$ 170,3 milhões no ano passado.

O atual secretário de saúde, Ricardo Oliveira confessou que se reuniu com os juízes do  Núcleo de Assessoramento Técnico aos Juízes (NAT) do Tribunal de Justiça (TJ-ES). “Decreto de juiz não constrói UTI. Atrapalham a eficiência da aplicação de recursos”.

Segundo o Ministério da Saúde, o Espírito Santo possui um déficit de 238 leitos, e apesar do governo estadual ter inaugurado novos leitos nos últimos anos, a má gestão faz com que leitos continuem vazios sem funcionamento, em contrapartida, hospitais continuam com superlotação e atendendo até mesmo crianças nos corredores.

A situação na saúde também é reflexo da mudança quanto a gestão dos recursos geridos pela Secretaria de Saúde (Sesa). Enquanto a gestão anterior antecipava os recursos federais, a atual gestão tem atrasado até mesmo valores já enviados pelo governo federal.

Vale reforçar que o governador durante seu discurso na Assembleia continuo a reafirmar o discurso do caos e disse que indiferente dos setores, todos são passíveis de cortes, no entanto, ao ser questionado por que essas reduções não são notadas nas verbas utilizadas para benefícios ao alto escalão, esse se esquivou.

É preciso cobrar que o governo atenda os interesses da população, o povo não pode ser penalizado e os cortes, caso sejam efetivamente necessários, devem ser feitos com equilíbrio em áreas que não coloquem em risco a vida do cidadão.

Com informações do Leia-se, A Gazeta, Sesa e Portal da Transparência/ES.