

Por Douglas Dantas e Iran Caetano.
Nos últimos anos, o Espírito Santo vivenciou uma verdadeira escalada em sua arrecadação pública. De 2016 a 2024, a receita total arrecadada pelo Governo do Estado praticamente dobrou, saltando de R$ 14,8 bilhões para R$ 29,2 bilhões — um crescimento nominal de 97,2%, com média anual de 7,8%. Esse avanço foi impulsionado por ciclos econômicos favoráveis, aumento na arrecadação de ICMS e royalties do petróleo, além de uma gestão fiscal considerada eficiente por órgãos de controle.
No entanto, esse cenário de prosperidade não se refletiu na valorização dos servidores públicos estaduais. Enquanto o Estado acumula superavit e amplia seus fundos estratégicos, os servidores enfrentam uma defasagem salarial estimada em cerca de 50%. Essa desvalorização provoca um preocupante êxodo de profissionais, com evasão superando 40% em algumas categorias, comprometendo a qualidade dos serviços públicos.
💰 O crescimento da receita estadual
A evolução da receita estadual mostra saltos expressivos em momentos-chave:
Esses números evidenciam uma capacidade crescente de investimento e planejamento estratégico. Mas onde está esse investimento quando se trata de quem sustenta a máquina pública?
🏦 FUNSES: um fundo soberano de destaque internacional
Criado em 2019, o Fundo Soberano do Espírito Santo (FUNSES) é um exemplo de como o Estado tem buscado garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo. Com foco em recursos oriundos da exploração de petróleo e gás, o FUNSES acumulou R$ 2 bilhões até 2025, sendo:
O reconhecimento veio em março de 2025, quando o FUNSES foi classificado como o 3º melhor fundo soberano do mundo e o melhor da América Latina pelo Instituto de Estudos de Fundos Soberanos (IEFS).
⚠️ O paradoxo da valorização: servidores à margem
Apesar do sucesso fiscal e da excelência na gestão de fundos, os servidores públicos permanecem à margem dessa bonança. A defasagem salarial acumulada de 50% não apenas compromete o poder de compra dos trabalhadores, mas também desestimula a permanência no serviço público. Com evasão superior a 40% em determinadas categorias, o Estado enfrenta uma crise silenciosa de descontinuidade e desmotivação.
A prosperidade do Estado não pode ser construída sobre a desvalorização de quem o faz funcionar. O momento exige coragem política, sensibilidade social e compromisso com quem sustenta a máquina pública todos os dias.
Para reverter esse quadro, o Sindipúblicos cobra uma política de valorização real e defende a aprovação, ainda em 2025, do projeto de reestruturação das carreiras do Executivo. A proposta representaria, em média, uma recuperação de 30% das perdas acumuladas. No entanto, as negociações estão paralisadas sob a justificativa do chamado “Tarifaço”, e sem avanços concretos, o Sindicato convoca a categoria para um ato no dia 27 de agosto, às 9h30, em frente à Casa Cor, na Gruta da Onça, Centro de Vitória. O lema do movimento é claro e contundente:
“O servidor está com fome de valorização, negocia Casão.”
* Douglas Dantas – Diretor do Sindijornalistas/ES e jornalista do Sindipúblicos. Iran Caetano – Diretor do Sindipúblicos.
Tem um artigo interessante ou um texto que gostaria de compartilhar com os companheiros? Ou talvez queira sugerir uma pauta? Envie um e-mail para jornalista@sindipublicos.com.br. Vamos juntos construir um Sindicato cada vez mais forte e atuante! Participe e faça a diferença!
Quem faz o Sindicato somos nós!
E quem representa você é o Sindipúblicos! Filie-se!
Texto: Douglas Dantas e Iran Caetano Foto: Divulgação