

Mobilização sindical e cobrança direta aos senadores do Espírito Santo recolocam no centro da agenda do Senado a luta pelo fim da escala 6×1. Enquanto Magno Malta e Marcos do Val se posicionam contra, apenas Fabiano Contarato apoia a pauta dos trabalhadores.
Após intensa mobilização de trabalhadores e trabalhadoras nas ruas e nas redes sociais, o presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta sexta-feira (14) o encaminhamento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
A decisão recoloca no centro da agenda do Senado uma das principais reivindicações da classe trabalhadora. Nesta semana, a CUT e seus sindicatos filiados, em unidade com as demais centrais sindicais, realizaram mobilizações em diferentes cidades brasileiras para pressionar o Senado a votar a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6×1.
A proposta, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados por ampla maioria, conta com o apoio de mais de 70% da população brasileira, segundo pesquisas.
O que disse o presidente do Senado
Em nota divulgada nas redes sociais, Alcolumbre afirmou que, como presidente do Congresso, cabe a ele analisar as propostas submetidas ao Parlamento e determinar seu encaminhamento às comissões competentes. Segundo ele, a PEC 221/2019 seguirá o rito ordinário e regimental do Senado, com a análise e o aprofundamento necessários.“Com absoluto respeito às prerrogativas do Poder Legislativo e ao papel de cada senadora e senador”, declarou.
Além da PEC que trata do fim da escala 6×1, Alcolumbre também determinou o encaminhamento da PEC 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, e do PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
Atuação Sindical
A presidenta do Sindipúblicos, Renata Setúbal, destacou a importância da atuação sindical na conquista do fim da escala 6×1 em setores do serviço público, como na Ceasa, onde recentemente foi garantida a mudança.
“Essa vitória mostra que a luta organizada dá resultado. O fim da 6×1 é uma pauta histórica dos trabalhadores e o Sindicato seguirá firme para que essa conquista se estenda a todos os setores”, afirmou Setúbal.
A mobilização popular com a mobilização dos sindicatos tem sido decisiva para que a PEC avance no Senado. É fundamental que os capixabas pressionem seus representantes. Os senadores Magno Malta e Marcos do Val já se manifestaram contra o fim da escala 6×1, apenas Fabiano Contarato declarou apoio à proposta.
A eleição de senadores e deputados comprometidos com as pautas dos trabalhadores é essencial para garantir avanços como este. Sem representantes alinhados às demandas da classe trabalhadora, conquistas como a redução da jornada e o fim da 6×1 ficam ameaçadas.
Segundo levantamento do Dieese, cerca de 14,8 milhões de trabalhadores — 33,2% dos ocupados no país — estão submetidos à escala 6×1. O modelo é mais comum em setores como transporte aéreo (53,2%), alojamento (52%), alimentação (47,1%) e comércio (42,2%).
A Constituição estabelece jornada máxima de 44 horas semanais, mas na prática milhões cumprem jornadas longas e desgastantes, muitas vezes acima de 45 ou 48 horas semanais. Apesar de alguns empresários resistirem à mudança, experiências com escalas alternativas, como a 5×2, têm mostrado resultados positivos, incluindo maior engajamento dos trabalhadores e aumento da produtividade.
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Por Douglas Dantas | Foto: Divulgação