

As práticas ilegais que levaram à prisão preventiva dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e Anthony Garotinho se assemelham à política adotada também pelo governador Hartung no Espírito Santo.
O principal questionamento é o tráfico de influências, onde empresas financiadoras de campanhas seriam beneficiadas com incentivos fiscais e contratos em obras públicas, por vezes superfaturados e muitas deles, sequer concluídas no tempo contratado.
Esse tráfico de influência poderia ser comparado devido aos repasses recebidos pela agência de consultoria econômica Econos Economia Aplicada aos Negócios S/C Ltda., da qual Hartung foi sócio. Diversas empresas que prestaram serviço ao seu governo, entre 2003 e 2010, teriam feito repasses de verbas a Econos. Ao todo, R$ 5,8 milhões teriam sido pagos ao grupo. Sendo que algumas dessas empresas também são financiadoras de campanhas.
Posto Fiscal
Outro caso envolvendo o governador do Espírito Santo é a denúncia do MP-ES de supostas irregularidades quanto ao Posto Fiscal de Mimoso do Sul. Na ocasião, o órgão justificou que o objeto da ação era baseado “no desperdício de dinheiro público na execução de uma obra sem qualquer utilidade para o estado e nenhum retorno social para a população” e que teria causado prejuízo aos cofres públicos de R$ 427 milhões.
Tal como Cabral e Garotinho, o governador Hartung é alvo de várias ações que questionam o enriquecimento superior aos seus ganhos.
Mansão nas montanhas
Entre os indícios estão uma mansão milionária, não declarada ao TRE-ES, construída num condomínio de luxo nas montanhas capixabas. Segundo apurado por Século Diário, o imóvel fica em terreno do condomínio Villaggio Verdi e foi comprado por Hartung e sua esposa por R$ 120 mil em agosto de 2011 – custo mais de cinco vezes menor do que o do apartamento, declarado em R$ 617,5 mil. No entanto, consultores imobiliários ouvidos pelo jornal estimam que a mansão – com alto padrão de acabamento e materiais de última geração, sendo destaque até em revistas de arquitetura, tenha valor superior à R$ 2 milhões.
Apartamento de luxo
Também levanta suspeitas a transação imobiliária, de 2011, em que Hartung escriturou um apartamento de luxo na Praia do Canto no valor de R$ 48 mil e, no mesmo dia, vendeu-a por R$ 2,1 milhões. Os veículos de imprensa informam que na operação de venda, investigada pelo Ministério Público Federal (MPF), houve supressão de valores que se prestaria a justificar supostas discrepâncias na declaração de bens de Hartung à Justiça Eleitoral – ele teria “empobrecido” mais de R$ 300 mil entre os registros de 2006 e 2014.
Outra obra questionável é o Cais das Artes, que teria sido feita inclusive pelo mesmo arquiteto que projetou a mansão de Hartung nas montanhas. Com as obras iniciadas ainda em 2010, apesar de várias suplementações orçamentárias, continua sem funcionar e já consumiu mais de R$126 milhões .
Viagens da mulher
Hartung também é acusado de usar dinheiro público para bancar despesas privadas. Segundo denúncias, a sua esposa realizou 75 viagens ao Rio de Janeiro e São Paulo, cidades onde vivem os filhos do casal, causando um rombo em torno de R$ 90 mil, de acordo com a documentação enviada ao Tribunal de Contas.
Apesar de várias denúncias sobre os graves indícios de irregularidades, vários processos tramitam morosamente na justiça estadual questionando a gestão do governador capixaba.
Fontes:
Retomada da obra do Cais das Artes vai custar mais R$ 3 milhões
Hartung acumula fortuna e suspeitas
Hartung vai voltar a responder processo envolvendo posto fiscal