O paradoxo capixaba: estado rico, servidores pobres

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Por André Carvalho*

O Governo do Espírito Santo, sob a gestão de Renato Casagrande, escreveu um capítulo notável na história da administração pública brasileira. Os números, incontestáveis, falam por si: a Receita Corrente Líquida mais que dobrou, os investimentos próprios bateram recordes, e o selo “Nota A+” de credibilidade consolida o estado como um exemplo de equilíbrio fiscal. Este sucesso, no entanto, repousa sobre um paradoxo profundamente injusto: a base que sustentou essa construção – o funcionalismo público – foi sistematicamente negligenciada e deixada para trás.

É alarmante constatar que, enquanto o estado supera marcas de arrecadação e concede incentivos a diversos setores, ocupa a última posição nacional em investimentos relativos ao seu próprio serviço público. Esta não é uma mera estatística; é o reflexo de uma distorção histórica que precisa ser urgentemente corrigida.

Os servidores capixabas arcam com sacrifícios há 22 anos. Foram sucessivos congelamentos salariais e reajustes aquém da inflação, resultando em perdas acumuladas superiores a 50%. O preço dessa política de austeridade desequilibrada não é apenas individual, mas coletivo. A evasão de talentos do serviço público é um sintoma crítico: 35% dos Analistas do Executivo abandonaram seus cargos, quase 40% dos aprovados no IEMA sequer tomaram posse, e órgãos cruciais como o Incaper operam com déficit de mais de um terço de seu quadro. Isso se traduz em serviços públicos mais lentos, menos especializados e, no fim da linha, em uma população atendida abaixo do seu direito.

Há uma falsa dicotomia que insiste em separar o equilíbrio das contas da valorização das pessoas. A robustez fiscal conquistada pelo estado, em grande parte graças aos sacrifícios do funcionalismo em momentos críticos, demonstra exatamente o contrário. Agora é o momento de investir naqueles que fazem a máquina estatal girar, da fiscalização, da arrecadação, do apoio aos agricultores e de todos os serviços essenciais.

A justiça salarial pleiteada não é um privilégio, mas uma necessidade estratégica. Um novo plano de cargos e salários, negociado de forma transparente com as categorias, não é uma despesa que ameaça as contas públicas; é um investimento imprescindível para a qualidade dos serviços e a sustentabilidade do próprio estado. Atrair e reter os melhores profissionais é a única forma de consolidar o desenvolvimento e transformar o sucesso econômico em progresso social real para todos os capixabas.

O governador Casagrande tem em suas mãos a oportunidade de fechar este ciclo com chave de ouro. O recente restabelecimento do diálogo é um sinal positivo e deve ser celebrado. Agora, é hora de transformar esse diálogo em ação concreta. Valorizar quem fez e faz acontecer não é um custo para o erário; é o passo definitivo para a construção de um Espírito Santo verdadeiramente justo, eficiente e desenvolvido para todos.

NEGOCIA, CASÃO

VALORIZE QUEM FAZ ACONTECER!

* André Carvalho, assessor político do Sindipúblicos

 

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Texto: André Carvalho Foto: Divulgação