

Nesta quinta-feira, 25 de julho, é celebrado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela.
A data é um importante marco na luta pela igualdade de direitos e no combate à discriminação, em especial no ambiente de trabalho.
Para discutir o tema, a CUT promoveu nesta quarta-feira online (assista aqui) um encontro de mulheres negras, do campo, da cidade e do movimento de mulheres que defenderam o avanço de políticas públicas voltadas para essa população que historicamente está na base da pirâmide social.
Segundo Julia Nogueira, secretária nacional de Combate ao Racismo da Central, as mulheres negras são as que mais sofrem discriminação em razão da cor da pele. “São elas que ocupam, em sua maioria, cargos precários. Muitos passos foram dados, no entanto, ainda faltam milhares de passos para que essa nossa caminhada sempre avance, no sentido de que o racismo seja combatido na sociedade brasileira. Por isso a importância do dia 25 de julho”.
“Nos 39 anos de serviço público, sempre fui respeitada e valorizada como mulher e negra, digo isto porque na época sempre era direcionada com apoio nas equipes. Como mulher e negra me sinto muito orgulhosa em estar na diretoria do Sindipúblicos. Amo o que faço, que é cuidar dos nossos aposentados. Na infância sofri muito por ser uma criança negra nas escolas, depois na juventude para arranjar empregos e por morar em cidades com muitos habitantes da cor clara. Após adulta compreendi o que acontecia na minha infância e adolescência. O Racismo “, comenta Edismar Ribeiro, diretora do Sindipúblicos.
Emmanuelle de Oliveira, diretora do Sindipúblicos reforça a importância das entidades atuarem contra o preconceito. “O sindicato cobra políticas públicas contra o preconceito racial, o preconceito de LGBTQ+. Somos todos iguais, independente de raça, de cor, de sexo, e por isso exigimos que seja feito o tratamento igualitário para todo mundo. É muito importante quando vemos mulheres negras, seja no serviço público ou em cargos de chefia, é muito gratificante porque sofremos muito preconceito. Muitas pessoas ainda, ao ver uma mulher negra, acham que a gente é empregada, não estudou, não tem uma formação de graduação. Isso é muito constrangedor. Por isso a importância do Sindicato atuar nessa pauta também”.
A vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, falou que neste Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, a sociedade brasileira precisa refletir sobre a discriminação que as mulheres negras sofrem no trabalho e na vida.
“Elas são as maiores vítimas de feminicídio, vítimas de violência doméstica, da mortalidade materna, elas estão na base da pirâmide socioeconômica do país. Analisando a pirâmide de cargos e salários, as mulheres negras ganham salários menores. Elas têm um desemprego maior, portanto, nós precisamos nos juntar, nos solidarizar para transformar o mundo, num mundo melhor para se viver, sem desigualdade”, disse a dirigente.
A secretária-adjunta de Combate ao Racismo, Nadilene Nascimento, concorda com a fala de Juvandia. “São as que mais enfrentam dificuldades no mercado de trabalho, são as primeiras a entrar, as últimas a sair, as que têm os trabalhos mais precarizados e os menores salários”.
A data relembra o marco internacional de luta e a resistência da mulher negra, reafirmando a necessidade de enfrentar o racismo e o sexismo vivido até hoje por mulheres que sofrem com a discriminação racial, social e de gênero. Também promove a conscientização sobre o racismo e a violência contra as mulheres.
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Fonte: CUT
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