

Famílias camponesas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocuparam na madrugada desta segunda-feira (17) duas áreas em Aracruz, norte do estado, utilizadas pela Suzano Celulose para monocultura de eucalipto para exportação. A ação aconteceu com a chegada de 200 famílias, que estão nos territórios da Fazenda Gaúchos, perto do Assentamento Nova Esperança, distrito do Riacho, e da Fazenda Lagoa de Baixo, no distrito de Jacupemba.
Em sessão plenária na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, os deputados discutiram o conflito entre Suzano e MST. Iriny Lopes afirmou que a área seria patrimonial, incorporada ao Estado após vários processos em cartório, em um litígio que dura muitos anos. A presidente da Comissão dos Direitos Humanos, Camila Valadão (Psol) anunciou uma visita aos locais ocupados para ouvir os integrantes do MST e destacou que a natureza do movimento é ocupar apenas terras improdutivas, que descumprem o dispositivo constitucional sobre função social dos imóveis rurais.
“O MST se tornou um importante produtor de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos; é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, e construiu uma rede de armazéns de distribuição em todo o país. Já plantou também mais de quatro milhões de mudas de plantas”, destacou.
O MST afirma que a área em questão é de propriedade da União, grilada pela Aracruz Celulose (atual Suzano) há três décadas. No processo movido contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, a Suzano declara exercer “posse mansa e pacífica do imóvel há muitos anos, valendo destacar que antes de sua aquisição a área já era ocupada por proprietários/possuidores que antecederam a Autora”, registra o auto.
Foto: Facebook MST
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