Morre Vito Giannotti, defensor da democratização da comunicação

Governo Hartung dobra gasto com marketing e destina mais de R$ 19 milhões às empresas de mídia
27 de julho de 2015
Aposentados farão passeio à Festa da Banana e do Leite
28 de julho de 2015

vito-giannotti

Aos 72 anos, o pesquisador e jornalista Vito Gianotti, defensor de uma comunicação democrática e popular, morreu no último dia 25 de julho.

Vito é filho de italianos. Chegou a São Paulo aos 21 anos, em 1964, e passou a vida toda construindo. Construiu resistência à ditadura, construiu a oposição metalúrgica de São Paulo ante sucessivas direções indignas de representar trabalhadores, construiu a pesquisa e a memória das lutas sociais e operárias, construiu pontes que, por meio da comunicação, ligassem lideranças sociais e intelectuais e suas ideais ao cidadão comum exposto à indecência da imprensa hegemônica.

Obstinado, Vito deixa mais de duas dezenas de livros. E a experiência singular do Núcleo Piratininga de Comunicação, no Rio de Janeiro. Um centro de estudos, de memória, de debates, de produção e troca de conhecimento. E de amizades.

Por algumas vezes, a equipe de comunicação e a diretoria do Sindipúblicos esteve nos cursos realizados pelo NPC, e só tem a agradecer pelo carinho e dedicação do camarada Gianotti. Fica aqui nossa singela lembrança e homenagem à esse batalhador que contribui para que, por meio da comunicação, os trabalhadores pudessem reivindicar e garantir seus direitos.

Suas palestras eram movidas a sonho e convicção. Com a mesma fluidez de suas prosas. Era crítico ácido de sindicatos e movimentos que desprezam a necessidade de produzir comunicação de qualidade com a sociedade – com linguagem respeitosa e clara, com elegância, com profissionalismo. E mesmo quando chutava o balde ao desferir crítica a um jornal malfeito, o fazia com o objetivo nítido de construir, de impelir as esquerdas e movimentos, qualquer que fosse a corrente, a deixar de falar para o umbigo e disputar a opinião pública.

Vito foi tudo isso. Intenso, propositivo e agregador. Sua alegria, sua energia, sua contundência, e sobretudo sua esperança e prazer de lutar, contagiantes, farão uma falta danada – ainda mais nesse momento sombrio de nossa política. Valeu, Vito. Façamos nossa sua frase clássica: “A luta continua, porra!”

Com informações da Rede Brasil Atual