

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anunciou nesta terça (18) em coletiva de imprensa sobre o combate a? violência nas escolas alguns resultados das ações do governo para coibir atentados contra as instituições de ensino. Em sua fala com chefes de Poderes, parlamentares e ministros no Palácio do Planalto, o ministro revelou que nos últimos 10 dias a investigação prendeu e apreendeu, no caso de adolescentes em conflito com a lei, 225 pessoas suspeitas de relação com ameaças e ataques às escolas. Ele também relatou que 756 perfis foram removidos de redes sociais por divulgação de ódio.
Em todo o território nacional, 1.224 casos estão em investigação. Neste período, 694 adolescentes e suspeitos foram intimados para prestar depoimento; 155 operações de busca e apreensão foram realizadas; 1.595 boletins de ocorrência foram registrados em unidades policiais; 756 perfis foram removidos ou suspensos de plataformas como Twitter e TikTok e 7.473 denúncias recebidas no canal exclusivo do Ministério, o Escola Segura.
Dino reforçou a necessidade da sociedade estar mobilizada para combater os discursos de ódio e atribuiu os ataques à formação de uma rede criminosa. “Não são casos isolados”, afirmou. Ele citou os dados registrados pelo Instituto Sou da Paz, ONG que atua para reduzir a violência no Brasil, segundo o qual nos últimos 20 anos 93 pessoas, entre mortas e feridas, foram vítimas de ataques em escolas.
Plano de Segurança Escolar para o Espírito Santo
No Espírito Santo,a Secretaria da Educação (Sedu) anunciou o lançamento de um Plano de Segurança Escolar para o próximo dia 27 de abril. O pacote de medidas foi discutido durante a reunião entre o Sindipúblicos e a Secretaria de Educação, realizada no dia 10 de abril, e deve incluir o treinamento da comunidade escolar para lidar com possíveis ataques, além do uso de tecnologias de monitoramento e emissão de alertas sobre situações de risco.
Presente na reunião, o Delegado Sindical Tadeu Guerzat destacou que o problema em questão não é específico das escolas e, portanto, não pode ser resolvido exclusivamente nas escolas. Tadeu, que trabalha como Agente de Suporte Educacional e convive com a sensação de insegurança entre os colegas e demais comunidade escolar, apontou como o problema possui diferentes fontes:
“Desde o ódio político, em muitos casos, que se mostrou motivador de ações e massacres, o acesso fácil à arma e ao seu manuseio, a intolerância, preconceito e precisa ser dito também que nos últimos anos no Brasil até o movimento ‘Escola Sem Partido’ tentou grafar uma pecha de ‘partidarização nas escolas’ mentirosa, mas que convenceu muita gente. Não é leviano dizer que isso colabora para transformar escolas em alvos de ataques extremistas. O tratamento do estado é construir um protocolo de segurança para todas as escolas. Acho que é um bom primeiro passo, mas creio que qualquer ação visando a segurança da escola sem que seja tratada a doença social da violência, é paliativo ou superficial”, argumentou.
Ainda sobre a reunião, o delegado do Sindipúblicos relatou que foi discutido sobre a utilização de Inteligência Artificial vinculada à câmeras de videomonitoramento para tentar antever situações de riscos e sinalizar para a administração, por meio de leitura facial, identificação de rostos cobertos, mapeamento de pessoas caminhando ao redor da escola, entre outros padrões de comportamento e gestos. Também foi falado em trancar as entradas, estabelecer um protocolo de evacuação para dentro das salas de aulas e sobre o acionamento da patrulha escolar. O sindicato aguarda formalmente a divulgação do plano para discutir junto a sua base a eficácia das medidas propostas pelo Governo do Estado.
Foto: Isaac Amorim/MJSP
Fortaleça sua Entidade Sindical. Filie-se ao Sindipúblicos!
.