

Por Renata Setúbal, primeira presidenta eleita do Sindipúblicos-ES
Assumir a presidência do Sindipúblicos-ES é um momento de profunda emoção e grande responsabilidade. Este Sindicato tem uma história marcada por lutas e conquistas, e ser a primeira mulher a ocupar esse cargo não é apenas um marco para a Entidade, mas também para todas as mulheres que batalham por espaço e reconhecimento em uma sociedade ainda desigual.
Desde o início da minha trajetória, sempre soube que nada se constrói sozinho. Quero expressar minha gratidão aos que vieram antes de mim: os pioneiros do sindicalismo e, sobretudo, as mulheres que abriram caminhos para minha chegada. No serviço público, somos maioria na base, mas ainda minoria nos postos de chefia. Essa desigualdade precisa ser combatida, e essa será uma das minhas missões à frente do Sindipúblicos.
Na política, nossa representatividade ainda é mínima. Das 19 mulheres que concorreram a cargos executivos no Espírito Santo em 2024, apenas duas foram eleitas. Na Assembleia Legislativa, somos apenas quatro deputadas, e uma na bancada federal. No governo do estado, apenas duas mulheres ocuparam o cargo de governadora interinamente em mais de 400 anos de história. Isso precisa mudar.
Mas não nos curvamos. Somos responsáveis por 45% dos lares capixabas, sendo que 30% destes são chefiados por mães solo. Estamos presentes e contribuindo para o fortalecimento da economia do nosso estado, rompendo com o cenário de trabalho doméstico não remunerado e ocupando cada vez mais espaços no mercado de trabalho. No serviço público, apesar de sermos maioria em muitas categorias, ainda somos minoria nos cargos de primeiro escalão. Isso também precisa mudar.
A violência política de gênero é um problema crescente no Brasil, e não posso deixar de mencionar os ataques recentes a mulheres na política capixaba, como os sofridos pela vereadora Karla Coser. Quando mulheres ocupam espaços de liderança, são frequentemente alvos de misoginia e tentativas de descredibilização. Precisamos ampliar a proteção e o apoio a mulheres que se colocam na linha de frente da política e do sindicalismo.
Minha gestão será marcada pela proximidade com os servidores. No entanto, a luta não se faz sozinha. Conto com o apoio de todas e todos em nossas frentes de batalha, com campanhas salariais robustas, diálogo e, quando necessário, pressão sobre o governo para garantir a valorização do funcionalismo e o atendimento de nossas demandas. Atualmente, mesmo com alta arrecadação, o Espírito Santo é um dos estados que menos investe nos servidores. A mobilização sindical será essencial para essa transformação.
A união e o fortalecimento da luta sindical são caminhos fundamentais para garantirmos nossas pautas, como o pagamento dos precatórios, a recomposição das perdas salariais e a correção da nossa tabela de cargos e salários. Queremos valorizar os servidores e tornar nossas carreiras mais atrativas, evitando as altas taxas de evasão causadas pela desvalorização.
Para além do campo sindical, precisamos compreender que somos diretamente influenciados pelas decisões políticas. Por isso, devemos estar atentos e cobrar compromissos dos candidatos que já começam a surgir para a disputa de 2026 – sejam deputados, senadores ou governador. Sem servidores públicos valorizados, não há um estado eficiente. Nossa luta não é apenas por melhores condições de trabalho, mas por um serviço público mais eficiente e contra a corrupção.
Essa jornada na presidência do Sindipúblicos é um chamado à luta, um manifesto por igualdade e um compromisso com a valorização do funcionalismo. Estou determinada a enfrentar desafios e promover transformações. Conto com o seu apoio para ampliarmos a luta e conquistarmos nossos objetivos! Quem faz o Sindicato somos nós! E quem representa você, é o Sindipúblicos!