Mesmo com lucro bilionário, Bolsonaro manda e deputados aprovam privatização dos Correios

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Em dez anos, os Correios geraram um lucro de R$12 bilhões, repassando 73% desse valor à União, contribuindo diretamente para as contas do governo federal. Mesmo assim, o Governo Bolsonaro defende a privatização da Estatal colocando como prioridade de pauta.

À pedido do governo, nesta quinta-feira (05), os deputados federais em sua maioria aprovaram o texto base que garante a privatização da Estatal.

Conforme apurado pelo site Poder 360 “cinco partidos (Novo, Republicanos, Cidadania, Patriota e PP) deram mais de 80% de seus votos a favor da privatização dos Correios. O Poder 360 considerou a decisão sobre o texto-base, a principal votação. PT, Psol, PC do B e Rede não deram nenhum voto a favor. Nos outros 2 partidos de esquerda houve votos a favor da proposta: 3 no PSB e 5 no PDT”.

Ao todo foram 286 votos a favor e 173 contra. Pelo Espírito Santo, apenas os deputados Helder Salomão (PT); Ted Conti (PSB) e Norma Ayub (DEM) defenderam os Correios votando contra o relatório que permitirá a privatização de uma das maiores estatais brasileiras.

Greve

Com quase cem mil trabalhadores diretos e 400 mil indiretos, os sindicatos da categoria prometem uma greve geral para forçar o Senado a freiar a privatização.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos no Estado da Bahia, Josué Canto, os deputados que votaram “sim” cometeram um crime.

“A gente já esperava que essa votação ocorresse nessa linha. Sinalizava pelas liberações de emendas. Ela deixou livre agora as tarifas de encomendas, deixou bem claro que o preço será elevado onde houver dificuldades, não vai ter tarifas iguais, como os Correios são atualmente. Hoje, tanto faz se for para Salvador ou Amazonas. Quem vai ser prejudicado é a população. Foi um texto criado por empresários, para favorecer empresários”, criticou Josué. “Simplesmente a vontade de um governo que não tem justificativa nenhuma de privatizar a estatal que dá lucro. Em dez anos teve um lucro de R$ 12 bilhões e passou 73% para a União”, diz Josué, que demonstra preocupação com os funcionários, que possuem em média 50 anos e pararam de estudar por já serem concursados.

Defender os Correios é garantir segurança e soberania nacional na área de logística, importante aos mais diversos setores.