

Dados apresentados no livro reforçam a importância de uma legislação que fortaleça o Iema, ao contrário da proposta por Felipe Rigoni de flexibilização no licenciamento.
Os servidores do Iema lançaram o primeiro volume de uma trilogia que propõe mapear os três principais ecossistemas presentes no Espírito Santo: os manguezais, as restingas da planície costeira capixaba e as Áreas Úmidas do Estado.
“O principal objetivo do trabalho foi levantar conhecimentos sobre a resiliência dos manguezais e informações para orientar as prefeituras a fazerem o correto ordenamento do território municipal nas áreas onde ocorrem os manguezais”, comenta o servidor do Iema e doutor em Geografia física, Roberto Vervloet, responsável pela elaboração e organização do e-book em conjunto com demais servidores do Instituto.
Também colaboraram com a publicação os servidores Pedro Ronchi, Sergio Martins Filho, Edimundo Almeida da Cruz, Sandro Rodrigo Aniceto de Souza e as estagiárias Thallys Alves Pena e Indira Luiza Bedoni Galvão.
Em 215 páginas, o e-book “Mapeamento e análise espaço-temporal dos manguezais do espírito santo” traz diversas ilustrações, mapas e fotos, com uma linguagem clara e objetiva, explicando todo processo de transformação vivenciado pelos manguezais desde a década de 1970.
Entre os dados revelados na publicação, está a redução da área do ecossistema no Espírito Santo. “A perda total de Manguezal no intervalo 1970–2015 foi de 22,724 km². O Estado possuía, em 1970, o total de 136,901 km² e atingiu, em 2015, 114,177 km², ao longo dos 414 km de extensão do litoral. Em termos nacionais, o Espírito Santo possuía, em 1970, cerca de 0,98% do total de Manguezais do Brasil, caindo para 0,82%, em 2015, sendo que o país possui, atualmente, cerca de 14 mil km², perfazendo cerca de 9% do valor global deste ecossistema” revela a publicação.
Roberto ainda comenta que a publicação é um “trabalho inédito no Brasil. Destaco a perda de quase 22 km² de manguezais no ES nos últimos anos, devido à urbanização, ocupação desordenada e agricultura predatória realizada em nossas bacias hidrográficas. Destaco também os impactos dos rejeitos da Samarco/Vale nos manguezais do norte, devido ao espalhamento desses rejeitos sobre o interior dos manguezais, além dos impactos da poluição atmosférica de pó preto nos manguezais de Vitória, principalmente na cadeia de pescado, como já demonstram pesquisas mais recentes e listadas no capítulo sobre os manguezais de Vitória”.
O Sindipúblicos avalia que a publicação, em que é demonstrada a redução na área de manguezais no Espírito Santo, só reforça a necessidade de uma legislação que fortaleça o trabalho do Iema na preservação e não flexibilizando o licenciamento ambiental como libera o PL da Destruição defendido pelo secretário de meio ambiente Felipe Rigoni.
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Foto: Divulgação Livro / Pedro Ronchi