Levantamento identifica perfil de mortos no Espírito Santo

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Homens com a cor de pele parda, moradores de periferia, com idades que variam entre 16 e 50 anos. Esse é o perfil das pessoas assassinadas no Espírito Santo até o dia 14 de fevereiro, segundo levantamento feito pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol). Nesse período, o estado registrou 149 mortes violentas.

Vale frisar que além do Estado negar o diálogo e conceder o que é direito constitucional, a Secretaria de Segurança passou todos esses dias infringindo a Lei de Acesso à Informação e censurando a imprensa ao negar os dados dos mortos no Espírito Santo.

Papel esse que passou a ser realizado pelo Sindipol que tem feito o levantamento com base nos registros da Divisão de Homicídios (DHPP), do Departamento Médico Legal de Vitória (DML) e do Centro Integrado de Defesa Social (Ciodes).

O levantamento indica que a maioria das mortes pode ter envolvimento com questões ligadas ao tráfico de drogas, diante as regiões onde os crimes aconteceram, as idades das vítimas e o “modus operandi” dos assassinatos.

No entanto, a guerra civil de Hartung vitimou também várias pessoas sem nenhum envolvimento com o tráfico, resultado de ‘bala perdida’ ou latrocínios – roubo seguido de morte.

“Acreditamos que sem a PM fazendo o patrulhamento ostensivo nas ruas, as gangues ligadas ao tráfico de drogas tentaram expandir suas áreas de atuação e isso resultou na carnificina que vimos nos últimos dias. Esperamos que a Polícia Civil, com a estrutura que tem, dê conta de investigar tantos crimes”, finalizou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

Perfil

Nos sete municípios da Região Metropolitana onde nas primeiras semanas de fevereiro foram registradas mortes violentas por armas de fogo ou armas brancas, 85 vítimas foram homens moradores de periferia. O levantamento apontou que a maioria dos homens mortos na Grande Vitória é descendente de brancos e negros, ou seja, possuía a cor da pele parda.

Na Região Metropolitana, foi no município de Serra onde mais pessoas morreram. Foram 35 mortes em mais de uma semana. Desse total, 33 eram homens. De acordo com as informações colhidas pelo Sindipol, a vítima mais nova assassinada na cidade possuía 16 anos, a mais idosa, 69.

Em Cariacica, onde 20 mortes foram contabilizadas, 19 vítimas foram homens e a faixa etária foi ainda menor, entre 15 e 47 anos. Em Vila Velha, dos 19 assassinatos, 17 foram de homens (idades 15 – 52).  Na capital, de 11 mortes, 9 vítimas eram do sexo masculino (idades 17 – 61). Em Guarapari foram 4 assassinatos, todos homens ( idades 17-42), já em Viana, a polícia civil registrou 3 mortes de homens (idades 20-38).

Interior do Estado

A onda de violência no Espírito Santo deixou 55 mortos em 23 cidades. As idades variam entre 15 e 53 anos. Em São Mateus, município que mais registrou assassinatos, todas as vítimas eram do sexo masculino, 9 no total.

Em 23 cidades do interior, 30 pessoas assassinadas tinham a cor da pele parda, 7 eram brancos e 10 negros.  6 corpos não foram identificados e os policiais não registraram a cor da pele nas ocorrências.

Menores

Nos registros de mortes durante a crise na segurança do Espírito Santo, os números mostram que das 149 vítimas, na Grande Vitória 11 eram menores de idade. 9 homens com idades entre 15 e 17 anos, e 2 mulheres de 14 e 16 anos.

Já no interior, a polícia civil registrou 6 assassinatos envolvendo menores de idade. Em Conceição da Barra, norte do estado, a vítima do sexo feminino tinha 17 anos, em Aracruz foi um rapaz também com 17 anos, outro crime envolvendo um adolescente de 17 anos foi em Rio Novo do Sul. Já em Jaguaré, São Mateus e Nova Venécia, as vítimas eram homens com 15 anos de idade.

Violência contra mulheres

11 mulheres foram assassinadas em todo o estado. Na Região Metropolitana foram 9 mulheres executadas. Os crimes aconteceram na Serra (duas mortes), em Vitória (duas mortes), em Vila Velha (duas mortes), Fundão (duas mortes) e em Cariacica (uma morte). No interior, a polícia civil registrou duas mortes, em Linhares e Conceição da Barra.