Laudelina de Campos Melo, um marco na luta pelos direitos das mulheres negras

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Neste Dia Internacional da Igualdade da Mulher, é essencial resgatar a memória e o legado de uma figura que teve um papel fundamental na luta pelos direitos das mulheres negras e trabalhadoras no Brasil: Laudelina de Campos Melo. Feminista, sindicalista e ativista negra, Laudelina foi a fundadora do primeiro sindicato de empregadas domésticas do país, uma categoria composta majoritariamente por mulheres negras.

Em um Brasil marcado pelo racismo estrutural, a organização das trabalhadoras domésticas não era do interesse das patroas brancas, especialmente durante o início do século XX, quando a segregação racial era ainda mais acentuada. Mesmo diante desse cenário adverso, Laudelina, aos 32 anos e com dois filhos, fundou em 1936 a primeira Associação de Empregadas Domésticas do Brasil, em Santos, São Paulo.

As reivindicações de Laudelina incluíam a inclusão das trabalhadoras domésticas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a prestação de assistência às trabalhadoras e suas famílias. Na época, o serviço doméstico era mencionado nas leis apenas com o objetivo de proteger a sociedade contra as trabalhadoras, vistas como ameaças potenciais às famílias empregadoras.

Com o golpe militar de 1964, Laudelina foi presa por suas atividades comunistas, e a associação que ela havia criado foi tomada por patroas brancas e, posteriormente, fechada. Mas a luta de Laudelina não terminou ali; em 1970, ela conseguiu reabrir a associação e continuar sua militância.

Laudelina faleceu em 1991, aos 86 anos, sem ver a concretização de um de seus maiores sonhos: a regulamentação dos direitos das empregadas domésticas. Esse marco só foi alcançado em 2015, com a aprovação da Lei Complementar nº 150, que equiparou os direitos dessas trabalhadoras aos dos demais profissionais.

Hoje, o nome de Laudelina de Campos Melo é referência na luta antirracista e na defesa dos direitos das mulheres, especialmente as negras. Sua militância pavimentou o caminho para gerações futuras, e seu legado permanece vivo. Neste Dia Internacional da Igualdade da Mulher, honramos sua memória e reafirmamos a importância de sua luta: Laudelina, presente!

 

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