Juízes e delegados questionam ‘acidente’ com Teori, relator da Lava Jato

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Logo que foi confirmada a morte do ministro do Supremo, Teori Zavascki, em um acidente aéreo em Paraty, no Rio de Janeiro, na tarde desta quinta-feira (19),  delegados, juízes e personalidades políticas revelaram fatos que reforçam a suspeita de Conspiração contra o relator da Lava Jato, que estava prestes a homologar o que será a maior delação, de executivos da Odebrechet, e envolveria políticos de vários partidos e até mesmo figuras políticas internacionais.

Zavaski havia interrompido as férias no início do ano para dar seguimento aos processos da operação. Ele voltou do recesso para analisar a delação premiada de 77 executivos da Odebrecht. Delações que seriam homologadas nos próximos dias.

‘É um cara fechado’

O ministro era considerado publicamente por Temer e seus ministros de estado como um homem fechado e que não aceitava negociações, sequer atendiam políticos em visitas e primava pelo rigor técnico em suas decisões, gerando grandes incômodos aos políticos.

Um diálogo divulgado em maio entre o então ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDBRR), e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado reforçava o perfil de Teoria. Dizia Machado, em trecho que à época foi interpretado como uma tentativa de estancar a Lava Jato: “Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori, mas parece que não tem. Não tem. É um cara fechado.

A conversa entre Machado e Jucá ocorreu pouco antes da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Trechos do diálogo, gravado por Machado, foram divulgados em maio pela “Folha de S. Paulo”.

Na mesma gravação, Jucá afirma que “tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, por meio de um acordo “com o Supremo, com tudo”. “Delimitava onde está, pronto”, disse o senador.

Queima de arquivo

Reforçando a possibilidade de queima de arquivo, entre as personalidades que levantaram a hipótese está o delegado da Polícia Federal, Marcio Adriano Anselmo, um dos principais investigadores da Operação Lava Jato no Paraná: “a morte do ministro Teori Zavascki “na véspera da homologação da colaboração premiada da Odebrecht, deve ser investigada a fundo”. Na página que mantém no Facebook, o delegado ainda afirmou que o “acidente”, escrito entre aspas, é o prenúncio do fim de uma era. Segundo Márcio Anselmo, o ministro “lavou a alma do STF à frente da Lava Jato”. O delegado da PF também escreveu que Teori Zavascki surpreendeu a todos pelo extremo zelo com que suportou todo esse período conturbado.

O presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Roberto Veloso, também cobra uma investigação rigorosa no caso. “Diante das altas responsabilidades a ele atribuídas, em especial a condução dos processos da Lava Jato no STF, é imprescindível a investigação das circunstâncias nas quais ocorreu a queda do avião em que viajava.”

Filho denunciou ameaças

Até mesmo o filho do ministro, Francisco Zavascki,  relatou recentemente ameaças à família:

“É óbvio que há movimentos dos mais variados tipos para frear a Lava Jato. Penso que é até infantil que não há, isto é, que criminosos do pior tipo (conforme MPF afirma) simplesmente resolveram se submeter à lei! Acredito que a Lei e as instituições vão vencer. Porém, alerto: se algo acontecer com alguém da minha família, vocês já sabem onde procurar…! Fica o recado!”, escreveu Francisco em seu Facebook.

Já Teori, chegou a comentar sobre as supostas ameaças, mas não deu a devida importância, dizendo à EBC que não havia recebido “nada sério”.

Nomeação por Temer

Além da delação, outro fato que levanta suspeitas é que com a morte do ministro, o presidente em exercício, segundo a Constituição, é o responsável por nomear seu substituto. E de acordo com o artigo 38, inciso IV do Regimento Interno do STF, “quando há morte, o relator é substituído pelo ministro indicado para substituí-lo”.

No caso, seria justamente Temer o responsável pela nomeação, um dos que estavam na lista dos políticos investigados e envolvidos nos escândalos de corrupção apurados pela Lava Jato.

Apuração rigorosa

A morte de Teori, acidental ou não, revela que é preciso de eleições diretas já, com a saída imediata de inúmeros políticos que estão envolvidos na Lava Jato e tentam de todas as formas ‘estancar’ a operação. Será uma imoralidade um investigado pelo STF nomear um novo ministro para continuar suas investigações.

O Sindipúblicos defende a renúncia imediata do presidente Temer e convocação de eleições gerais para os cargos executivos federal e estadual, visto que inúmeros governadores também estão envolvidos na Lava Jato.

Abaixo publicamos fatos que levantam a possibilidade de conspiração. Reflita:

Outubro de 2016

Delação da Odebrecht vaza e atinge cúpulas do PMDB e PSDB, Delação da Odebrecht: Temer e Alckmin.
Dezembro de 2016

Relator da Lava Jato, ministro do STF Teori Zavascki, deve homologar delação da Odebrecht só em março.

Janeiro de 2017

Equipe de Teori no STF não tirou férias para analisar delação da Odebrecht.

18 de janeiro de 2017

Teori interrompe férias para analisar delação da Odebrecht.

Delator da Odebrecht cita Temer, Renan, Maia e mais de 20 políticos.

Odebrecht diz que repassou R$ 10 mi a pedido de Temer

19 de janeiro de 2017.

TEORI MORRE EM QUEDA DE AVIÃO.

 

Com informações de Folha de S.Paulo; Extra; Carta Capital; Paraná Portal e Terra