Iases tem seis profissionais infectados por Covid-19

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Foram confirmados seis casos de contágio de Covid-19 entre os profissionais que atuam no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases). São cinco servidores e um terceirizado infectados e outros quatro servidores estão com suspeita da doença. Não há casos de suspeita ou infecção entre os internos.

De acordo com o presidente do Sindipúblicos, Tadeu Guerzet, a entidade já está estudando as medidas judiciais cabíveis, entre essas, que sejam realizados testes em todos servidores e internos, com devido isolamento e afastamento para tratamento de saúde dos que testarem positivo para Covid-19. Além de intensificados os procedimentos de cuidado para impedir o contágio.

Segundo o presidente do Sindipúblicos, o sindicato já exigiu do Iases o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), além de outras medidas de prevenção, como distanciamento entre as pessoas, principalmente na entrada das unidades. Entretanto, a fiscalização por parte do sindicato é dificultada pela própria necessidade de isolamento. A entidade está fechada e muitos diretores são idosos, portanto, do grupo de risco.

Servidores do Iases afirmam que as medidas de prevenção adotadas são ineficientes, pois não foram todos que receberam máscaras. Alguns apontam que foram entregues somente esta semana. Eles relatam ainda, que entre os infectados estão pessoas que atuam na portaria realizando vistoria de objetos dos servidores, o que torna a situação ainda mais preocupante devido ao contato físico que a função exige.

O militante do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra (CDDH), Gilmar Ferreira, também mostra preocupação com a situação. “O servidor é infectado, depois infecta sua própria família e os internos que estão sob cuidado do Estado”, afirma. Ele reitera que o governo deveria ter acatado orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo desencarceramento no sistema prisional e a desinternação no sistema socioeducativo. As contaminações em ambos os espaços já eram previsíveis, reforça Gilmar.

Um dos motivos para essa previsibilidade é o fato de que o Sistema Único de Saúde (SUS) é muito mais inacessível para pessoas em espaços de privação de liberdade. “Nosso modelo de saúde em tempos normais não chega a essa população, imagine agora em meio à pandemia. São ambientes com pouca fiscalização, onde as pessoas vivem um contexto de criminalização e consideradas não merecedoras de direitos”, afirma Gilmar.

 

Com informações de Século Diário