

O maior abraço de urso, ou seja, uma das maiores traições que tem se visto atualmente é a do governador Paulo Hartung ter virado às costas aos educadores, já que parte da categoria chegou a abraçar a sua campanha eleitoral. Agora, a desmedida e despropositada foice de Hartung atinge diretamente a educação, com racionamento de merenda, proibição de cópias, reposição de feriadão aos sábados entre outros.
Como se não bastassem os cortes, o governador tenta implantar a todo custo o Escola Viva, projeto de educação em tempo integral, sem o devido debate junto à comunidade escolar. Indo de encontro com a responsabilidade governamental em garantir todo debate antes de implantar um projeto, que irá afetar toda comunidade escolar. Caso não seja debatido corretamente, esse projeto pode causar sérios prejuízos a alunos, pais e educadores.
Em recente visita às escolas por todo o Estado, o deputado Sérgio Mageski tem denunciado a precariedade em que se encontra a educação no Estado, e o agravamento das condições de trabalho nesses últimos cinco meses de governo Paulo Hartung.
Em Colatina, por exemplo, foi detectado que a situação da escola estadual São Silvano é tão grave que é realizado um “mapeamento do ventilador”, isto por que se todos os ventiladores da sala forem ligados ao mesmo tempo, ocasiona curto-circuito na rede elétrica.
“Só quem vive isso sabe a precariedade que estamos enfrentando. As cópias/xérox estão suspensas por tempo indeterminado e houve redução de 72% da verba das escolas. E reclamar está proibido!” comenta o professor Luciano B, de uma escola estadual na Serra, que preferiu não se identificar.
Sandra Regina, mãe de dois alunos também denuncia a situação da educação no Estado. “Tenho dois filhos estudando e não tem a metade das aulas”. Fato que também já foi denunciado inclusive à Assembleia Legislativa, que para não realizar concurso, e nem realizar processo seletivo para DT’s, o governo estaria juntando turmas, causando “superlotação” com mais alunos por turma, ultrapassando os limites orientados pelos principais diretrizes pedagógicas.
Outra denuncia é quanto a perseguição que os professores vem sofrendo quando ao realizam ato público, pois são “punidos” com o corte de ponto. Já quanto ao recesso escolar do dia 20 de abril, os professores foram obrigados a cumprir o horário em um sábado, mesmo sem aulas.
E mostrando mais uma vez sua veia autoritária, o governo tem incentivado os educadores a participarem de uma consulta pública on-line, mas se nega a realizar a conferência estadual de educação, espaço que garantiria um amplo debate dos problemas vivenciados pela categoria.
Estado não paga piso
Além da falta de estrutura e pessoal, o governo do Espírito Santo sequer cumpre a legislação e não paga o piso nacional de educação. Para piorar, o governador continua a negar qualquer negociação quanto à reposição salarial dos servidores públicos estaduais, o que inclui os professores.
Diferente disso, alguns estados tem se preocupado com a situação da educação, como Minas Gerais que anunciou um reajuste de quase 32% aos professores. O aumento será de 13,6% em 2015; 8,21% em 2016 e 7,72% em 2017. O Governo também garantiu que independente desses aumentos, os salários serão reajustados em janeiro de 2016, 2017 e 2018 em cima do aumento do piso nacional dos professores. Apesar de escalonado, o governo de Minas com a atitude começa a recompor as perdas salariais dos profissionais, enquanto que no ES o governador PH sequer aceita discutir 0,01% de aumento, mas aceita que os juízes aumentem em 15% sua remuneração.
A situação mostra que quando o governo quer, ele consegue valorizar o servidor público. Vale ressaltar que a situação em Minas Gerais anda também delicada devido o governo anterior ter deixado, conforme auditoria fiscal, um rombo bilionário em caixa. Essa situação é bem diferente do atual governo capixaba, uma vez que estudo independente contratado pelo Sindipúblicos demonstra a saúde financeira do estado com superávit.