
Pacientes capixabas que tratam de leucemia, tumores gastrointestinais dentre outros tipos de cânceres estão sem receber alguns de seus medicamentos há mais de um mês. Isso devido ao medicamento utilizado para o tratamento de uso contínuo, o Mesilato de Imatinibe, não ter sido entregue pelo governo federal.
Os pacientes que tem ido à farmácia oncológica que funciona no Hospital Evangélico, uma das credenciadas pelo SUS, receberam a informação que desde o dia 03 de março a medicação está em falta e que a previsão dada pelo Ministério da Saúde seria de enviar no dia 21 de abril. “Estou há quatro anos aqui e essa é a primeira vez que vejo faltar o medicamento” desabafou uma funcionária.
O filho de uma das pacientes desabafa. “Apesar da doença de minha mãe estar controlada, há uma grande insegurança, pois um mês sem medicamento pode regredir o tratamento, ocasionando até mesmo complicações. Mesmo o médico dando assistência, o psicológico dos pacientes ficam abalados, com medo de terem que passar tudo de novo quando do estágio grave do câncer. Sem contar os pacientes que estão no início de tratamento, e ficaram sem atendimento”, revela o administrador de empresas Leonardo Rocha.
A nossa reportagem buscou também a Farmácia Estadual, responsável pela distribuição do medicamento, que confirmou que o governo federal não encaminhou o medicamento, ocasionando a falta do mesmo em toda rede de farmácias oncológicas estaduais. A previsão também seria de chegar no dia 22, porém, uma das farmacêuticas responsáveis, ao ser questionada se o governo tem cumprido os prazos, ela alertou que “nem sempre, não dá para garantir. Alguns prazos o governo não tem cumprido”.
A falta de medicamentos de responsabilidade do governo federal tem sido constante conforme denunciam pacientes. Recentemente a imprensa capixaba noticiou que dezessete medicamentos estavam em falta.
A situação revela a falta de compromisso e seriedade na gestão da saúde pública pelo governo federal. É inaceitável que medicamentos de uso contínuo, principalmente para combater o câncer e outras doenças graves, faltem para pacientes já cadastrados e fazem esse uso controlado.
É preciso que os órgãos de controle, como Ministério Público e Tribunal de Contas apurem essas irregularidades e cobrem do Ministério da Saúde uma resolução para que a falta de medicação não se torne rotina.
Ministério da Saúde
“O Ministério da Saúde informa que finalizou, no dia 21 de março, o processo de compra do medicamento Imatinibe de 100mg e 400mg. Após a assinatura do contrato, a empresa fornecedora do medicamento tem até o dia 21 de abril para realizar a entrega do produto aos estados. O atraso na distribuição do medicamento se deu por conta de problemas jurídicos com as fornecedoras do medicamento ao SUS. Em fevereiro, foram enviadas remessas do medicamento aos estados para abastecimento durante o primeiro trimestre do ano”.