

O governo brasileiro registrou, em 2024, um salto expressivo em suas receitas graças aos dividendos pagos por estatais como a Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Essas empresas foram responsáveis por impressionantes 81% dos dividendos totais recebidos, que somaram R$ 72 bilhões no último ano — um aumento de 46% em relação aos R$ 49 bilhões arrecadados em 2023. Para este ano, a expectativa é ainda maior, com projeções de R$ 80 bilhões.
Dividendos: alívio para os estados e reforço fiscal
Os dividendos pagos pelas estatais desempenham um papel crucial para o governo federal e os estados, especialmente em um momento em que o déficit fiscal alcançou R$ 187 bilhões. Esses recursos têm se mostrado estratégicos para sustentar investimentos em áreas prioritárias, como saúde, educação e infraestrutura, enquanto ajudam a aliviar a pressão sobre as contas públicas.
O Espírito Santo é um exemplo de como esse dinheiro pode fazer a diferença. O estado vem utilizando os repasses para fortalecer a economia local e melhorar os serviços prestados à população. Para Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos, os dividendos recordes são uma oportunidade única:
“Com esses recursos adicionais, o governo estadual pode corrigir distorções salariais com a reestruturação das carreiras, investir em capacitação e melhorar as condições de trabalho dos servidores públicos. Essas ações refletem diretamente na qualidade dos serviços oferecidos à população”, afirmou Renata.
Petrobras e BNDES lideram arrecadação
Entre as estatais, Petrobras e BNDES são os maiores contribuintes. O banco, por lei, destina metade de seu lucro ao governo, o que representou R$ 29,5 bilhões em 2024. Já a Petrobras, com sua robustez operacional, contribuiu com quase R$ 30 bilhões.
Esses números consolidam a importância estratégica dessas empresas não apenas para o governo federal, mas também para o desenvolvimento de estados e municípios, que dependem dos repasses para financiar obras e projetos estruturantes.
Comparações internacionais destacam relevância das estatais brasileiras
O desempenho das estatais brasileiras se destaca até no cenário global. A norueguesa Equinor, por exemplo, gerou R$ 14,8 bilhões em dividendos para seu governo, menos da metade do que a Petrobras entregou ao Brasil em 2024.
Além disso, em um cenário global que distribuiu US$ 1,7 trilhão em dividendos no ano passado, a Petrobras se consolida como uma das maiores pagadoras do mundo, reforçando sua posição como um dos pilares econômicos do país.
Privatização em debate
Os números recordes reacendem o debate sobre o futuro das estatais. Caso empresas como a Petrobras fossem privatizadas, os dividendos hoje destinados ao governo e, por extensão, à sociedade, seriam o lucro de acionistas estrangeiros, sem a mesma garantia de retorno ao país.
Os resultados de 2024 deixam clara a relevância das estatais não apenas como fontes de receita, mas também como instrumentos de políticas públicas e de fortalecimento do desenvolvimento nacional.
Com informações do The News.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil