


Castigado pelas fortes chuvas no final de 2013 e início de 2014, o Norte do Espírito Santo vive nos últimos meses um período de longa seca. O Rio Doce (foto acima) que corta a região enfrenta uma das cinco piores secas dos últimos 70 anos, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil. Entre os municípios mais afetados estão Colatina e Baixo Guandu.
A população, que ainda amarga os prejuízos das enchentes, acumula agora os efeitos desastrosos da seca. Falta de água potável, pastos secos e plantações comprometidas com a falta de irrigação são alguns dos problemas enfrentados por moradores dessa região. O cenário hoje dominado pela seca não parece em nada com o de janeiro passado, quando o Rio Doce alcançou, em alguns pontos, mais de quatro metros acima do limite de inundação e devastou a cidade.
Os mesmos motivos que levaram a essa situação, foram, a ainda são, os causadores de enchente na região Norte. A falta de investimento do poder público em proteção ambiental é o que permite ter, ainda, um extenso Rio Doce sem mata ciliar, além de rios assoreados e esgoto sem tratamento.
A população está convocada a economizar água. Mas quais são as medidas de prevenção à seca adotadas pelo poder público? Virão novas chuvas e com a falta de investimento o cenário de desastres causados pelas enchentes tende a ser o mesmo, senão pior, devido ao assoreamento e aos imensos bolsões de areia formados.
Segundo informações do ex-governador Casagrande para a mídia local, o Estado conta com um Programa de Desenvolvimento Sustentável e de Revitalização. Em Mascarenhas, norte do Estado, os moradores reivindicam a construção de um muro de contenção nas margens do Doce, próximo à represa para evitar a destruição da cidade. Mas segundo o governo do Estado, neste ano serão concluídos apenas os projetos para a construção de 34 barragens em municípios da Região Norte. O Sindipúblicos procurou a assessoria de imprensa do governo para obter mais informações sobre projetos de prevenção à seca e à enchente, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.
Clique aqui e confira entrevista com o coordenador estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Valmir José Noventa sobre a importância da agricultura familiar na preservação do meio ambiente.
Vamos cobrar
Ainda como candidato a eleição para governador do Estado, Paulo Hartung declarou que uma das prioridades de sua gestão será o combate à seca no Estado. Em declaração à imprensa ele afirmou que, para minimizar os impactos da estiagem, adotará medidas emergenciais, tais como: a construção de cisternas em propriedades rurais; distribuição de água por meio de carros-pipa; e articulação dos agentes financeiros para facilitar o acesso ao crédito para produtos rurais que sofreram com a seca. Hartung também declarou que será desenvolvido um programa de reflorestamento e da regularização da ocupação do solo, utilizando o mecanismo de pagamento por serviços ambientais, para não gerar prejuízos aos produtores rurais.
No entanto, esta não é a primeira vez que Paulo Hartung assume o cargo de governador do Estado. Assim como, a seca e a enchente são antigos problemas enfrentados pelos capixabas, em especial da Região Norte, e não surgiram nos últimos quatro anos. A forma de governo de Paulo Hartung já é conhecida e não difere da política de Casagrande. Por isso, é importante que sindicatos, movimentos sociais e a população fiquem atentos e cobrem do futuro governador a implementação efetiva de todas essas medidas anunciadas, para que não fiquem apenas como promessas de campanhas, e que de fato essa seja gestão uma gestão diferente da anterior.