Entidades organizam ato público para denunciar as mentiras da Samarco, Vale e BHP Billiton

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Já se passaram cinco meses do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, e até o momento esse crime ambiental está sendo marcado pela omissão dos governos de Minas Gerais, Espírito Santo e do Governo Federal, além das empresas responsáveis: Vale, Samarco e BHP Billiton. Por isso, na próxima sexta-feira, dia 1º de abril, data conhecida popularmente como dia da mentira, o Fórum de Entidades em Defesa da Bacia do Rio Doce realizará o ato público “Dia 1º de Abril: Dia das Mentiras da Samarco”. A manifestação acontecerá a partir das 9h em frente ao Palácio Anchieta.

O ato acorrerá no mesmo dia e horário em que o Fórum denunciará o crime ambiental na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos. A reunião contará com a presença do corpo diplomático, de entidades internacionais de direitos humanos, como a Conectas Direitos Humanos, Human Rights Watch, entre outras; e do relator da ONU para resíduos tóxicos, Baskut Tunkac.

Com a participação na reunião da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o Fórum tem como um de seus objetivos chamar atenção para as consequências do rompimento da barragem no Brasil e fora dele, já que se trata do maior desastre socioambiental da história do país e que assumiu proporções globais com a chegada da lama ao mar. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA é uma das entidades que integram o Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos, cuja sede é em Washington.

O Fórum de Entidades em Defesa da Bacia do Rio Doce reúne cerca de 80 entidades regionais e nacionais. Ele surgiu logo após o rompimento da Barragem de Fundão para mobilizar a sociedade civil com o objetivo de exigir que a Vale, Samarco e BHP reparem os danos causados por meio do crime ambiental que cometeram, como destruição de comunidades, escassez de recursos hídricos e aniquilamento da fonte de renda de diversos trabalhadores e trabalhadoras, como os pescadores que dependiam do Rio Doce para sobreviver. Além disso, o Fórum exige a punição dos culpados.

Mentiras da Samarco

O nome “Dia 1º de Abril: Dia das Mentiras da Samarco” não foi escolhido à toa. O ato público foi assim denominado em virtude das inúmeras mentiras que a mineradora tem dito a respeito do crime ambiental cometido. Entre elas estão o fato da empresa afirmar que a quebra da barragem foi causada por um terremoto, e não por negligência, que a água do Rio Doce está própria para consumo e, mais recentemente, que a contaminação dos peixes do rio com metal é algo natural, e não prejudicial à saúde.