
Representantes de associações e sindicatos cobram respeito ao servidor e alertam para desafios nas eleições e no serviço público.
Servidores públicos do Executivo Estadual se reuniram nesta quarta-feira, 19 de agosto, para o início do VIII Congresso do Sindipúblicos. O encontro, que segue até quinta-feira (20), tem como objetivo central construir um plano de lutas para reverter o empobrecimento acumulado pela categoria nos últimos 13 anos.
Em mesa representativa, dirigentes de associações e sindicatos de servidores de todo o Espírito Santo reforçaram a defesa do serviço público e listaram os principais gargalos: falta de concursos, perdas salariais, condições precárias de trabalho e combate aos assédios moral e sexual.
Na abertura, a presidenta do Sindipúblicos, Renata Setúbal, deu as boas-vindas e ressaltou o papel estratégico do Congresso. “É fundamental estarmos juntos neste momento para debater os desafios dos servidores públicos e projetar as próximas batalhas. Este espaço é para ouvir a base e transformar indignação em ação coletiva. Fazemos um evento mais para ouvir vocês, para juntos construirmos nosso plano de lutas, que alinha e direciona a nossa atuação”, afirmou.
Participações
Thiago Pimentel, da Comissão dos ASE’s, cobrou reconhecimento: “Oferecemos anos de trabalho para o Estado, para o Capixaba, e em troca a gente está empobrecendo com o tempo. A gente não está sendo valorizado. Somos a maior categoria atual e não temos sido valorizados”.
A presidenta da CUT, Clemilde Pereira, lembrou que os direitos foram conquistados com muita luta: “Todas as conquistas da classe trabalhadora foram a custo de suor, sangue e muita luta para serem conseguidas”. Para ela, o momento exige atenção ao voto: “O governo não ataca só uma categoria. Ataca todos nós. Quando o meu colega trabalhador é prejudicado, não tem os benefícios, não tem o salário digno, isso afeta todos”.
Gustavo Coutinho, da Associação dos Servidores do Iases (Assiases), destacou a força da organização pós-greve: “Acredito que a gente tem que construir nosso movimento em bases muito sólidas. É isso que a gente tem tentado fazer lá na nossa associação, fruto da greve”.
Wanusa Corrêa, do Sindaema, conectou a conjuntura às eleições: “Realizar esse Congresso em agosto é extremamente importante. Nós que trabalhamos em serviços essenciais temos que estar unidos e votar para que esse país seja governado por quem defende os trabalhadores, para que a gente não volte a viver o que a gente viveu em 2019”.
João Paulo Furtado, presidente da Assiema, fez um balanço da mobilização do ano passado e projetou os desafios: “Nossa luta foi muito intensa no ano passado, durante a greve. Chegamos num momento mais morno, mas de maturidade maior. Temos a reforma administrativa batendo na nossa porta e o achatamento salarial que já chega a 50% de perdas”.
Também participaram da abertura os candidatos ao governo do Estado Helder Salomão (PT) e Rafael Demuner (UP). Helder defendeu que o Fundo Soberano seja utilizado em benefício de toda a sociedade, e não de um grupo restrito. Rafael destacou a necessidade de punição exemplar para casos de assédio. Renata Setúbal lembrou que todos os candidatos ao governo foram convidados e que candidatos ao legislativo estadual e federal também marcaram presença, reafirmando apoio à pauta dos servidores.
Diagnóstico aponta perdas e metas do plano de lutas
De acordo com a tese do VIII Congresso, a categoria perdeu poder de compra frente à inflação, ao salário mínimo e a outras carreiras do próprio Estado.
Embora tenha havido reajustes — 4,5% e R$ 200 no auxílio-alimentação em abril de 2025; 8% para agentes de suporte educacional, Auditores e Delegados em setembro; e em fevereiro de 2026, 8% para níveis médio e superior, 18% para carreiras de nível médio-técnico e 4% de RGA a partir de julho — o impacto foi limitado. Com IPCA acumulado de 7,6% entre janeiro de 2025 e maio de 2026, a recuperação via reajustes lineares foi de apenas 0,9%. Nas categorias com 18%, chegou a 8,9%.
Na comparação com o salário mínimo, a defasagem é maior. Enquanto o mínimo subiu 14,2% entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, os servidores da base tiveram 12,5% no mesmo período, gerando perda de 2%. Desde 2013, o distanciamento se aprofunda: o mínimo teve alta de 139%, com ganho real de 19,2%.
Diante desse cenário, o Sindipúblicos defende que o plano de lutas inclua recuperação integral das perdas, igualdade salarial entre as carreiras e a reorganização da base de celetistas.
Encaminhamentos do primeiro dia
Após a mesa de abertura, os delegados aprovaram o Regimento Interno e a tese do VIII Congresso. Na sequência, o diretor do Sindipúblicos, Tadeu Guerzet, apresentou análise de conjuntura estadual com dados econômicos e sociais para subsidiar os grupos de trabalho desta quinta-feira (20) que vão detalhar as propostas da categoria.
A programação completa e a tese do Congresso estão disponíveis em
www.sindipublicos.com.br/VIIIcongresso.
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Por Douglas Dantas | Foto: Divulgação