Diretora é condecorada com a Comenda Zacimba Gaba em celebração histórica no Julho das Pretas

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Na noite de quinta-feira (10), a Assembleia Legislativa do Espírito Santo foi palco de um tributo emocionante às mulheres negras que se destacam por sua atuação militante e cultural no estado. Entre elas, a diretora sindical e agente de suporte educacional Emmanuelle Oliveira recebeu a prestigiosa Comenda Zacimba Gaba, símbolo de resistência e luta, durante uma Sessão Solene presidida pela deputada estadual Camila Valadão (Psol).

Trajetória de dedicação ao serviço público

Aos 45 anos, Emmanuelle Oliveira é mãe, umbandista e vice-presidente do Instituto Marilsa Marçal. Com formação em Administração e atualmente cursando Educação Física, sua atuação no Sindipúblicos tem sido marcada pela defesa intransigente da valorização dos servidores estaduais e da qualidade dos serviços públicos. Ela também é diretora executiva da escola de samba Chegou O Que Faltava e atua como ritmista em várias agremiações, levando a cultura afro-brasileira às ruas e aos corações.

Símbolo de união e luta

Emmanuelle liderou a histórica mobilização dos Agentes de Suporte Educacional, cuja greve resultou em concursos públicos e reajustes salariais. “Precisamos lutar sempre pelo coletivo e resistir ao individualismo. Só juntos conseguiremos avançar em prol de nossa categoria”, declarou.

Legado de Zacimba Gaba inspira honrarias

A comenda que leva o nome de Zacimba Gaba, princesa africana da nação de Cabinda, homenageia mulheres negras que mantêm viva a memória da resistência contra a escravidão e a opressão. Zacimba foi trazida ao Brasil como escravizada em 1690 e, mesmo subjugada, liderou uma revolta que culminou na morte de seu torturador e na fundação de um quilombo no norte capixaba. Sua história é marcada por atos de coragem, como o envenenamento simbólico do fazendeiro José Trancoso com o “pó de amansar sinhô” — uma mistura letal feita da cabeça moída da cobra jararaca.

Zacimba dedicou sua vida a libertar pessoas escravizadas e atacava navios negreiros, tornando-se uma heroína dos quilombos do Espírito Santo. Seu exemplo ecoa hoje no reconhecimento de mulheres como Emmanuelle, que seguem lutando por dignidade, representatividade e igualdade social.

A cerimônia de entrega da comenda aconteceu no Plenário Dirceu Cardoso, como parte das celebrações do Julho das Pretas, que destaca a luta e o protagonismo das mulheres negras.

 

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Texto e Foto Douglas Dantas